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«Hortas do Mira»,o regresso ao passado em Odemira.
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«Hortas do Mira», o regresso ao passado em Odemira.

Há várias formas de questionar este tipo de projectos e a sua verdadeira aptidão, e consequentemente os benefícios que trazem para Odemira. Por essa razão, é importante, ao abordar este tema liga-lo à realidade, o que tem acontecido e acontece em Odemira, tendo como ponto de partida a instalação da Odefruta e avaliando o desempenho de todas as empresas que se instalaram no P.R.Mira desde essa data, neste sector. Qual foi a riqueza criada e qual o contributo para Odemira. Na minha opinião, se for feito um estudo retrospectivo sério, que permita entender o que se passou e passa, vamos encontrar razões para não repetir o mesmo tipo de erro. Numa época em que a economia é tudo, nada melhor que pedir contas, a Assembleia Municipal de Odemira é o órgão indicado para pedir as contas dos últimos 25 anos. Para poder decidir o futuro tem que fazer contas.

Que tipo de ajudas/ subsídios vão receber, recebem e receberam? Onde foi aplicado? Onde está a riqueza gerada? No meu entender esses esforços financeiros podem e devem ser melhor aproveitados e em benefício de Odemira. Para que os investimentos (com os 200 milhões de Euros?) sejam funcionais, em prol da população e sustentáveis no longo prazo, devem ser aplicados nas centenas de propriedades que constituem o mosaico do Perímetro de Rega do Mira. Não há dinheiro para tudo, é uma coisa em detrimento da outra. Já assim foi no passado e no presente. E no futuro? O que é melhor para Odemira?

O leque de questões que levantei, no primeiro correio electrónico, tem como objectivo desmontar as várias parcelas que compõem o projecto e perceber quais os factores que o apresentam como viável.

Em linhas gerais podemos dizer que o projecto «Hortas do Mira», é mais ou menos isto:

- Sistema de produção, Tipo «Atlantic Growers», intitula-se de ECO, no sentido em que diz respeitar o Meio Ambiente. Diz-se um sistema energeticamente eficiente. Também se auto caracteriza como respeitador das normas de higiene e segurança no trabalho, de forma a proporcionar aos trabalhadores boas condições de trabalho. Ao consumidor assegura um produto livre de contaminantes, uma vez que segue as regras da segurança alimentar.

- Estufas de vidro, ambiente controlado: temperatura (20°C), Humidade Relativa, concentração de CO2, etc.

- Cultura Hidropónica, cultivo sem solo, usa lã de rocha como substrato. Este substrato serve para que as raízes se desenvolvam e suportem a planta, ao mesmo tempo é injectada uma solução nutritiva para alimentar a planta, com água e nutrientes. O Sistema radicular está em ambiente controlado: pH, condutividade eléctrica, salinidade, etc.

- Controlo de pragas e doenças; dependendo dos problemas que afectam a cultura, diferentes tratamentos (quais?). Controlo de algumas pragas com recurso a auxiliares.

- Cogeração, proporciona aquecimento para as estufas quando necessário e venda de electricidade à EDP. Injecção de CO2 nas estufas, obtido a partir da filtragem dos gases resultantes do processo.

- Exportação de pimentos, tomates, flores & outros, para Supermercados no centro da Europa, como exemplo Holanda e Alemanha.

Alguns aspectos a considerar relativamente ao projecto «Hortas do Mira»:

- Eco-Estufas? Qual a razão desta denominação?

- Qual a quantidade de Dióxido Carbono, gerada e libertada para a atmosfera durante o processo? As várias parcelas a considerar: Fertilizantes, Pesticidas, Substrato (lã de rocha), Viveiro (obtenção das plântulas a partir de sementes),Estruturas metálicas, Vidro, Gás (queima e transporte), Sistemas de fertirrigação, Sistemas eléctricos & Computadores, Impermeabilização de 180 ha, Transportes diversos, Transporte de Odemira para Centro Europa, entre outros.

Todos estes consumíveis têm equivalentes em Dióxido de Carbono, desde a sua produção/extracção até chegarem a Odemira e depois de serem utilizados. Injectar uns gramas de CO2 na estufa torna a coisa «ECO»?

- Eficiência energética; 1 kg de pimentos tem um valor nutricional aproximado de 200 a 280 calorias/ kg. Neste sistema de produção, quantas calorias são consumidas para produzir um quilograma de pimentos?

De notar que este projecto está fortemente dependente de financiamento, antes de começar a produzir o investimento é brutal. Nas circunstâncias actuais, pergunto: não tem mais lógica desenvolver projectos que tenham no sol, solo, água, nos recursos naturais, os factores principais? Nas circunstâncias actuais estes projectos megalómanos fazem sentido? Então porque é que não funcionam? Antes de produzir alguma coisa gastam milhões e depois logo se vê...

- Água? Qual a quantidade de água que o projecto consome? Apresentação de estudo dos últimos 30 anos e perceber se em anos de seca não vamos ter problemas com a distribuição da água. Qual foi o último ano em que a água na Barragem de Santa Clara baixou a níveis críticos? Água para todos. Um projecto destas dimensões pode desequilibrar as coisas?

- Temperatura = 20°C; para isso temos que aquecer, mas também que arrefecer as estufas. Consumindo energia eléctrica (quanto e a que preço?). Este facto traz um dado importante, este tipo de projecto pode ser implantado em qualquer sítio do mundo. Com maiores ou menores consumos energéticos, dependendo da época do ano. Pode ser desenvolvido na Bélgica ou Alemanha, perto do mercado (Odemira para Amesterdão 2500 km). Ou na Argélia, onde está o gás necessário, a mão-de-obra é abundante e barata, e fica a 2000 km de Amesterdão! Nunca estive na Argélia, mas conheço projectos deste tipo em Israel e no Egipto. Na economia Global, na qual os promotores do projecto se situam, só este facto demonstra que o projecto «Hortas do Mira» não são favas contadas. Por isso temos que perceber o que nos pode acontecer, para além de ganharmos um «elefante de vidro». Por outro lado, este aspecto mostra que é irrelevante instalar esta «coisa» dentro do PNSACV ou do outro lado da estrada N120. A não ser que desta vez outros e/ou os mesmos actores manifestem interesses não revelados, e nesse caso convém perceber quais são.

- Cogeração? Aqui entra o tal gás que é importado da Argélia. Numa época em que as energias renováveis se apresentam como a solução para o futuro, aparecem aqui estes senhores a querer replicar a prática da utilização de combustíveis fósseis. Apresentando a coisa como uma ideia futurista. Isto faz sentido? Numa zona como a nossa, o Sol e o Vento, deviam ser as fontes de energia associadas a qualquer projecto a instalar.

- A cogeração, a partir da queima do gás, permite produzir calor para aquecer a estufa, se necessário. Produzir electricidade, que é injecta na rede pública a um determinado preço (A que preço e que condições?).

- No processo de cogeração filtram os gases resultantes do processo e injectam CO2 na estufa para maximizar o processo fotossintético (qual a percentagem de CO2 injectada/reaproveitada?).

- Ciclo produtivo/ produção; tomando como referência uma unidade de área, 1 hectare, qual o período anual que se encontra em ocupação/produção? A cogeração trabalha de acordo com as necessidades das culturas ou sem interrupções? Qual a produção esperada, Ton/ha/ano?

- Mão-de-obra; Odemira desde o início dos anos noventa tem sentido na pele o efeito da livre circulação de pessoas pelo mundo, a mão-de-obra a preço «baixo» e nem sempre respeitada e respeitadora. Há vários exemplos menos bons. Um dos truques do «Capital» para financiar as suas aventuras e ganâncias, nada de novo. Odemira quer mais do mesmo? Será conveniente parar e perceber para onde estamos a ir? O futuro das próximas gerações e das actuais...temos direito de hipoteca-lo?

- Importação/Exportação; Neste projecto interessa também avaliar o balanço entre as importações e aquilo que se exporta como resultado da exploração, assim temos:

- Importações (a que preço?): gás natural, pesticidas, fertilizantes, sementes, tecnologia associada (microgeradores e «hortitec»), mão-de-obra, vidro (?), estrutura das estufas (?), lã de rocha, material impermeabilizante (?),... (quantidades?)

- Exportações (a que preço?): pimentos, tomates, flores,... (quantidades?)

- Este tipo de projecto que tanto recorre à importação recebe incentivos à exportação? E penalizações pelas importações?

- As empresas; onde se localizam as sedes das empresas instaladas e que aí vêm? Qual o seu contributo no território Odemira?

- Com tantos bons exemplos, como apregoam alguns, e com tanta falta de cooperação e associativismo, digo eu, pergunto: qual foi evolução que se verificou neste sector no Concelho de Odemira?

- Onde estão os empresários-agricultores portugueses?

- Espero que esta seja uma oportunidade para debater as várias oportunidades e caminhos. Mas sem rodeios, com casos práticos.

- Uma pista, um dos problemas de certas empresas na região de Odemira é a disponibilidade de superfície arável suficiente para poder fazer a rotação das culturas. Nos primórdios usava-se as desinfecções de solo, mas como hoje os SUPERMERCADOS não querem, parou-se com essa prática! (pelo menos isso de bom! Porque em Odemira a prática estendia-se ao Parque Natural, nunca alguém se importou, se era uma boa prática, se era eficaz, enfim). Hoje, era fundamental que mais área estivesse a produzir e de preferência com actores locais. O aluguer de terrenos é uma possibilidade, mas não é uma solução.

- A Câmara de Odemira devia implicar-se mais no futuro de sectores como a Agricultura, Horticultura, Pecuária, Floresta e Pesca em todas as suas vertentes. Deixar as grandes decisões para os privados é contra indicado. Os recursos naturais são de todos, hoje aquela propriedade tem um dono, amanhã tem outro, a água que passa pela minha horta também serve para as suas ovelhas matarem a sede, etc.etc. Isto de ficar a assobiar para o lado devia acabar.

- Não esquecer que em Corte-Brique se pode cultivar pimentos e outras coisas! Como? 20 Toneladas de estrume e 500 kg de 7-21-21 por hectare. Aplicamos 1 caloria e colhemos 10. Ou então,... pedimos 50 calorias emprestadas, a pagar com juros, para que se calhar...aconteça isto e aquilo,...e daqui a alguns anos tudo se evapora e a meia dúzia do costume fica com os bolsos compostos mais uma vez. E a conta pagamos nós da mesma forma que estamos a pagar agora.

«If I agreed with you, we would both be wrong! »

Jose Nazare

Bom dia a todos,

Este correio electrónico tem como objectivo colocar algumas questões relativamente ao projecto «Hortas do Mira», em Odemira, Portugal.

Apresento as minhas dúvidas/questões da seguinte forma:

1- Apresentação do projecto «Hortas do Mira», o projecto segundo a comunicação social, e também outras ligações que ilustram a região de Portugal relevante para este assunto.

http://www.agroportal.pt/x/agronoticias/2011/12/01a.htm

http://dn.sapo.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1678830

http://www.riomira.com/index.php?option=com_content&view=article&id=2799%3Ainvestimento-de-200-milhoes-de-euros-em-eco-estufas-no-concelho-de-odemira&catid=1%3Aregional

http://naturlink.sapo.pt/article.aspx?menuid=6&exmenuid=3428&bl=1&cid=3428&viewall=true#Go_1

http://www.riomira.com/index.php?option=com_content&view=article&id=4679%3Aqtrabalho-escravoq-no-concelho-de-odemira&catid=8%3Asociedade-&fb_comment_id=fbc_5007150128523_684141_5007150250523

http://www.tvi24.iol.pt/politica/cavaco-cavaco-silva-agricultura-consumo-portugueses-tvi24/1304063-4072.html

2- Em baixo, encontram-se as questões colocadas sobre o referido projecto, numa primeira fase, e após a visita do Sr. Presidente da República Portuguesa à região de Odemira.

Cópia de carta/perguntas enviada à Câmara Municipal de Odemira e ao Ministério da Agricultura em Portugal:

«Já ouviram falar nas Hortas do Mira?

Alguém sabe/pode responder às seguintes questões? (Sempre ouvi dizer que perguntar não ofende, e preciso de saber se estou a ver a coisa bem...)

- O que são Eco-Estufas?

(Mais um conceito novo?! Eu sei que existem estufas em que se produz de forma convencional, integrada ou em modo de produção biológico. Eco-estufas?! A história repete-se, no último artigo do Expresso Economia sobre esta zona, o novo tipo de Agricultura auto intitulava-se de Natural...pois, pois, é preciso ter lata! É certo que esta cantiga tem dado os seus frutos...)

- Onde está o gás que vai queimar o dito projecto? Na Argélia?

- Quantos km anda um metro cúbico de gás? Primeiro em tubos, depois em camião?

- Onde está a mão-de-obra? Em Portugal ou noutro sítio qualquer?

- Utilizar gás como energia? num país cheio de sol e vento? O gás é uma energia renovável?

- Que quantidades de fertilizantes e pesticidas são usadas nestas estufas? Importados ou Nacionais? E as sementes? E os substratos? E...

- Qual o balanço Importações/Exportações deste projecto?

- Qual é mercado alvo?

- A que distância se encontra de Odemira? Como vão realizar o transporte e quais os custos energéticos associados?

- Qual é a quantidade de CO2 gerada por este projecto?

- O que tem este projecto de ECO? Reciclar a drenagem? Injectar umas gramas de CO2 para dentro da estufa, em vez de as lançar na atmosfera? E o resto?

- Isto é mais produção industrial, caso os ilustres cá do burgo & companhia decidam avançar com mais este regresso ao passado (bem recente!!!), pergunto: qual é a necessidade de instalar esta coisa dentro do Parque Natural? Isto pode ser instalado em qualquer Parque Industrial de qualquer sítio do mundo, desde que tenha água própria para a actividade em questão!! As estufas de vidro estão fechadinhas, as plantas não estão na terra, estão em substrato artificial, etc.etc. É mesmo só por gostarem de conflitos e não perderem qualquer oportunidade para culpar e desrespeitar o território PNSACV. E tudo isto em nome de uma falsa economia e prosperidade.

(Gostava de ver as contas dos últimos 22 anos, desde o Roussel até hoje, os milhões que por aqui passaram ... poluição e corrupção com fartura...tendo como receptores o Oceano Atlântico, os Solos, a Água e os bolsos de meia dúzia.)

- E as empresas que vem aí? Vem para pagar impostos em Odemira? Não? Como é costume, ou estou enganado? As que cá estão pagam impostos onde?

- E quando faz sol e está quentinho de noite, quanto é que a Câmara de Odemira (entenda-se os Odemirenses e demais habitantes do Concelho) ganha com a venda da energia co- gerada pela queima do gás, à EDP? Um desconto para os munícipes na conta da electricidade? Não?...

- Qual o verdadeiro papel da co-geração neste projecto?

- Já agora, por curiosidade, qual o preço estimado que os Holandeses e Alemães vão pagar pelo kg dos pimentos em Dezembro? E em Agosto? (Já sabemos que com esta história do mercado livre e dos subsídios & co-gerações, os produtos nunca são vendidos ao preço real, e o produtor é sempre o mexilhão da história. Há quem lhe chame especulação, é realmente, um jogo falso, e regulado por terceiros, agências incolores, inodoras...sem aviso. Mesmo assim mantenho a pergunta.)

..... mas o que nós precisamos é utilizar os recursos naturais, e as energias renováveis, e este projecto contempla essas variáveis?

É isto que Odemira quer para o seu futuro? Muita tecnologia, muitos milhões, mas a filosofia de sempre... Esta vossa forma de ajudar as pessoas através do financiamento cego das multinacionais e afins...tem que se lhe diga!!

Nos anos noventa subsidiaram o girassol e o linho no perímetro de rega do Mira, lembram-se?

Mesmo ali ao lado o Cavaco Silva e o Roussel passeavam, por entre aquilo que era o último grito tecnológico, a Odefruta. Lembram-se?

Quando deu para o torto, o Cavaco (e os outros também não, como se por magia não tivesse acontecido nada...) não apareceu, lembram-se?

É certo é que agora voltou como se nada fosse e mais uma vez a falar do que não percebe, ajudando a enterrar o país mais um bocadinho, lembram-se?

Transformaram os potenciais empresários agrícolas em meros tractoristas do Roussel, lembram-se?

Transformaram herdades agro-florestais em turismos rurais, em que se explora 1 hectare e se abandonam 100, lembram-se?

A pesca, lembram-se?

É esta a lógica da coisa, coisas sem jeito nenhum. O Deus Mercado e os seus mandamentos.

Agora, vou para Beja. Apanhar o avião...para Odemira.

Com os melhores cumprimentos e na esperança que esta carta sirva para um melhor futuro para Odemira.»

Jose Nazare

http://www.agroportal.pt/x/agronoticias/2011/12/01a.htm

3- Descrição e considerações sobre o projecto.
«Hortas do Mira», o regresso ao passado em Odemira.
Há várias formas de questionar este tipo de projectos e a sua verdadeira aptidão, e consequentemente os benefícios que trazem para Odemira. Por essa razão, é importante, ao abordar este tema liga-lo à realidade, o que tem acontecido e acontece em Odemira, tendo como ponto de partida a instalação da Odefruta e avaliando o desempenho de todas as empresas que se instalaram no Perímetro de Rega do Mira desde essa data, neste sector. Qual foi a riqueza criada e qual o contributo para Odemira. Na minha opinião, se for feito um estudo retrospectivo sério, que permita entender o que se passou e passa, vamos encontrar razões para não repetir o mesmo tipo de erro. Numa época em que a economia é tudo, nada melhor que pedir contas, a Assembleia Municipal de Odemira é o órgão indicado para pedir as contas dos últimos 25 anos. Para poder decidir o futuro tem que fazer contas.
Que tipo de ajudas/ subsídios vão receber, recebem e receberam? Onde foi aplicado? Onde está a riqueza gerada? No meu entender esses esforços financeiros podem e devem ser melhor aproveitados e em benefício de Odemira. Para que os investimentos (com os 200 milhões de Euros?) sejam funcionais, em prol da população e sustentáveis no longo prazo, devem ser aplicados nas centenas de propriedades que constituem o mosaico do Perímetro de Rega do Mira. Não há dinheiro para tudo, é uma coisa em detrimento da outra. Já assim foi no passado e no presente. E no futuro? O que é melhor para Odemira?
O leque de questões que levantei, no primeiro correio electrónico, tem como objectivo desmontar as várias parcelas que compõem o projecto e perceber quais os factores que o apresentam como viável.
Em linhas gerais podemos dizer que o projecto «Hortas do Mira», é mais ou menos isto:
- Sistema de produção, Tipo «Atlantic Growers», intitula-se de ECO, no sentido em que diz respeitar o Meio Ambiente. Diz-se um sistema energeticamente eficiente. Também se auto caracteriza como respeitador das normas de higiene e segurança no trabalho, de forma a proporcionar aos trabalhadores boas condições de trabalho. Ao consumidor assegura um produto livre de contaminantes, uma vez que segue as regras da segurança alimentar.
- Estufas de vidro, ambiente controlado: temperatura (20°C), Humidade Relativa, concentração de CO2, etc.
- Cultura Hidropónica, cultivo sem solo, usa lã de rocha como substrato. Este substrato serve para que as raízes se desenvolvam e suportem a planta, ao mesmo tempo é injectada uma solução nutritiva para alimentar a planta, com água e nutrientes. O Sistema radicular está em ambiente controlado: pH, condutividade eléctrica, salinidade, etc.
- Controlo de pragas e doenças; dependendo dos problemas que afectam a cultura, diferentes tratamentos (quais?). Controlo de algumas pragas com recurso a auxiliares.
- Cogeração, proporciona aquecimento para as estufas quando necessário e venda de electricidade à EDP. Injecção de CO2 nas estufas, obtido a partir da filtragem dos gases resultantes do processo.
- Exportação de pimentos, tomates, flores & outros, para Supermercados no centro da Europa, como exemplo Holanda e Alemanha.

Alguns aspectos a considerar relativamente ao projecto «Hortas do Mira»:
- Eco-Estufas? Qual a razão desta denominação?
- Qual a quantidade de Dióxido Carbono, gerada e libertada para a atmosfera durante o processo? As várias parcelas a considerar: Fertilizantes, Pesticidas, Substrato (lã de rocha), Viveiro (obtenção das plântulas a partir de sementes),Estruturas metálicas, Vidro, Gás (queima e transporte), Sistemas de fertirrigação, Sistemas eléctricos & Computadores, Impermeabilização de 180 ha, Transportes diversos, Transporte de Odemira para Centro Europa, entre outros.
Todos estes consumíveis têm equivalentes em Dióxido de Carbono, desde a sua produção/extracção até chegarem a Odemira e depois de serem utilizados. Injectar uns gramas de CO2 na estufa torna a coisa «ECO»?
- Eficiência energética; 1 kg de pimentos tem um valor nutricional aproximado de 200 a 280 calorias/ kg. Neste sistema de produção, quantas calorias são consumidas para produzir um quilograma de pimentos?
De notar que este projecto está fortemente dependente de financiamento, antes de começar a produzir o investimento é brutal. Nas circunstâncias actuais, pergunto: não tem mais lógica desenvolver projectos que tenham no sol, solo, água, nos recursos naturais, os factores principais? Nas circunstâncias actuais estes projectos megalómanos fazem sentido? Então porque é que não funcionam? Antes de produzir alguma coisa gastam milhões e depois logo se vê...
- Água? Qual a quantidade de água que o projecto consome? Apresentação de estudo dos últimos 30 anos e perceber se em anos de seca não vamos ter problemas com a distribuição da água. Qual foi o último ano em que a água na Barragem de Santa Clara baixou a níveis críticos? Água para todos. Um projecto destas dimensões pode desequilibrar as coisas?
- Temperatura = 20°C; para isso temos que aquecer, mas também que arrefecer as estufas. Consumindo energia eléctrica (quanto e a que preço?). Este facto traz um dado importante, este tipo de projecto pode ser implantado em qualquer sítio do mundo. Com maiores ou menores consumos energéticos, dependendo da época do ano. Pode ser desenvolvido na Bélgica ou Alemanha, perto do mercado (Odemira para Amesterdão 2500 km). Ou na Argélia, onde está o gás necessário, a mão-de-obra é abundante e barata, e fica a 2000 km de Amesterdão! Nunca estive na Argélia, mas conheço projectos deste tipo em Israel e no Egipto. Na economia Global, na qual os promotores do projecto se situam, só este facto demonstra que o projecto «Hortas do Mira» não são favas contadas. Por isso temos que perceber o que nos pode acontecer, para além de ganharmos um «elefante de vidro». Por outro lado, este aspecto mostra que é irrelevante instalar esta «coisa» dentro do PNSACV ou do outro lado da estrada N120. A não ser que desta vez outros e/ou os mesmos actores manifestem interesses não revelados, e nesse caso convém perceber quais são.
- Cogeração? Aqui entra o tal gás que é importado da Argélia. Numa época em que as energias renováveis se apresentam como a solução para o futuro, aparecem aqui estes senhores a querer replicar a prática da utilização de combustíveis fósseis. Apresentando a coisa como uma ideia futurista. Isto faz sentido? Numa zona como a nossa, o Sol e o Vento, deviam ser as fontes de energia associadas a qualquer projecto a instalar.
- A cogeração, a partir da queima do gás, permite produzir calor para aquecer a estufa, se necessário. Produzir electricidade, que é injecta na rede pública a um determinado preço (A que preço e que condições?).
- No processo de cogeração filtram os gases resultantes do processo e injectam CO2 na estufa para maximizar o processo fotossintético (qual a percentagem de CO2 injectada/reaproveitada?).
- Ciclo produtivo/ produção; tomando como referência uma unidade de área, 1 hectare, qual o período anual que se encontra em ocupação/produção? A cogeração trabalha de acordo com as necessidades das culturas ou sem interrupções? Qual a produção esperada, Ton/ha/ano?
- Mão-de-obra; Odemira desde o início dos anos noventa tem sentido na pele o efeito da livre circulação de pessoas pelo mundo, a mão-de-obra a preço «baixo» e nem sempre respeitada e respeitadora. Há vários exemplos menos bons. Um dos truques do «Capital» para financiar as suas aventuras e ganâncias, nada de novo. Odemira quer mais do mesmo? Será conveniente parar e perceber para onde estamos a ir? O futuro das próximas gerações e das actuais...temos direito de hipoteca-lo?
- Importação/Exportação; Neste projecto interessa também avaliar o balanço entre as importações e aquilo que se exporta como resultado da exploração, assim temos:
- Importações (a que preço?): gás natural, pesticidas, fertilizantes, sementes, tecnologia associada (microgeradores e «hortitec»), mão-de-obra, vidro (?), estrutura das estufas (?), lã de rocha, material impermeabilizante (?),... (quantidades?)
- Exportações (a que preço?): pimentos, tomates, flores,... (quantidades?)
- Este tipo de projecto que tanto recorre à importação recebe incentivos à exportação? E penalizações pelas importações?
- As empresas; onde se localizam as sedes das empresas instaladas e que aí vêm? Qual o seu contributo no território Odemira?
- Com tantos bons exemplos, como apregoam alguns, e com tanta falta de cooperação e associativismo, digo eu, pergunto: qual foi evolução que se verificou neste sector no Concelho de Odemira?
- Onde estão os empresários-agricultores portugueses?
- Espero que esta seja uma oportunidade para debater as várias oportunidades e caminhos. Mas sem rodeios, com casos práticos.
- Uma pista, um dos problemas de certas empresas na região de Odemira é a disponibilidade de superfície arável suficiente para poder fazer a rotação das culturas. Nos primórdios usava-se as desinfecções de solo, mas como hoje os SUPERMERCADOS não querem, parou-se com essa prática! (pelo menos isso de bom! Porque em Odemira a prática estendia-se ao Parque Natural, nunca alguém se importou, se era uma boa prática, se era eficaz, enfim). Hoje, era fundamental que mais área estivesse a produzir e de preferência com actores locais. O aluguer de terrenos é uma possibilidade, mas não é uma solução.
- A Câmara de Odemira devia implicar-se mais no futuro de sectores como a Agricultura, Horticultura, Pecuária, Floresta e Pesca em todas as suas vertentes. Deixar as grandes decisões para os privados é contra indicado. Os recursos naturais são de todos, hoje aquela propriedade tem um dono, amanhã tem outro, a água que passa pela minha horta também serve para as suas ovelhas matarem a sede, etc.etc. Isto de ficar a assobiar para o lado devia acabar.
- Não esquecer que em Corte-Brique se pode cultivar pimentos e outras coisas! Como? 20 Toneladas de estrume e 500 kg de 7-21-21 por hectare. Aplicamos 1 caloria e colhemos 10. Ou então,... pedimos 50 calorias emprestadas, a pagar com juros, para que se calhar...aconteça isto e aquilo,...e daqui a alguns anos tudo se evapora e a meia dúzia do costume fica com os bolsos compostos mais uma vez. E a conta pagamos nós da mesma forma que estamos a pagar agora.
Inovação não tem que ser sinónimo de extravagância, assim como tradição não pode ser regra.
«If I agreed with you, we would both be wrong! »

José Nazaré





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Actualizado em ( Quarta, 21 Dezembro 2011 09:22 )
 

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