Sexta, 23 Dezembro 2011 18:02    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Mas afinal quem é que deve emigrar?
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Mas afinal quem é que deve emigrar?

Carta enviada à Assembleia Municipal de Odemira.

Caros membros da Assembleia Municipal de Odemira,

Este correio electrónico é enviado na continuação do acto de CIDADANIA que tenho desenvolvido na última semana. Não é um acto isolado, há 20 anos que tenho esta postura.

No dia 21 de Dezembro enviei um correio electrónico em que colocava as seguintes questões:

1° «...quero manifestar o meu interesse em levar estes assuntos à próxima Assembleia Municipal de Odemira, como devo proceder?»

2° «Quando se realiza a próxima Assembleia Municipal?»

Como ainda não obtive resposta, volto a perguntar e aguardo. Peço desculpa por pressionar, mas como trabalho fora do País, já sou imigrante, preciso de organizar a minha agenda, de forma a poder estar presente na próxima Assembleia Municipal. E falar 5 minutos, se me for concedida essa benesse.

Aproveito para colocar outra questão:

- Todos os membros da Assembleia Municipal vão receber fotocópias de todos os documentos que compõem este correio electrónico? (agradecia, que isso acontecesse)

Como muitos dos membros dessa Assembleia Municipal não me conhecem, e dado o teor dos meus correios electrónicos, que acredito sejam um pouco distintos do que os senhores estão habituados a receber, vou fazer uma breve apresentação da minha pessoa.

Depois de ter andado quase 20 anos na escola, tinha chegado a hora de deixar a cidade e ir para o campo. Ir trabalhar e viver para o Concelho de Odemira. Com mãe transmontana e pai alentejano, de Elvas, a beleza de Odemira foi mais forte. Acreditem, desde os 17 anos, quando aqui passei férias pela primeira vez, que disse a todos os meus amigos e família, quando for grande vou viver para Odemira. Começou mal a aventura, a Odefruta, o choque, a realidade, a balburdia, a corrupção e a indiferença das autoridades, numa palavra vergonhoso. Saí da Odefruta, e fui para outra empresa a operar no concelho. Aqui constatei outra realidade, andas 20 anos na escola, mas a realidade é outra coisa, vale tudo, até tirar olhos. É certo que devido a várias causas acabei em tribunal com uma dessas empresas e com o seu gerente. Imagino que assim que comecei a falar das Hortas do Mira, muitos se tenham lembrado do assunto.

Pois eu tenho a consciência tranquila, e a pessoa em que questão, não é o meu alvo, ele sabe-o o bem, e isso é que me interessa. O meu alvo são os projectos, o presente e o futuro, e desta vez, mostrar a Odemira que continuam a existir outras possibilidades.

Já estou habituado a ser discriminado em Odemira, mas os meus pesqueiros preferidos e as minhas praias favoritas são aqui, vou ficando. Aqui estou a escrever sobre o que os Odemirenses deviam debater e reflectir. É que eu posso falar, a mim ninguém me vai despedir, e quanto ao resto dificilmente me conseguem penalizar mais. Não puder contribuir com o meu trabalho e conhecimentos para o país onde nasci, é duro. E podem perguntar ao senhor em questão, que equipa que nós chegamos a ser, os resultados que costumávamos obter, graças á colaboração dos melhores tractoristas do mundo e restantes funcionários. Mas acabou mal, infelizmente. Não retiro uma vírgula à minha tomada de posição na altura, em tudo o que aconteceu. Pena que o estado português despreze os seus cidadãos. O resultado está a vista. Imigrem que aqui não há espaço para vocês.

A esta hora mais de metade dos portugueses já disse a outros ou para com os seus botões, emigrem vocês seus... seguido do pensamento, mesmo que encontrasse um «tipo» destes, chamando-lhe todos os nomes possíveis e imaginários, nunca o conseguiria ofender tanto como ele a mim. Pois é mesmo disto que se trata, estamos a ser convidados para abandonar o nosso país. Pior, estamos a ser convidados a partir para dar lugar a outros! Nasceste aqui mas não prestas, rua! Não te sacrificas o suficiente! Fora!

Aqui com os meus botões e saudavelmente assaltado pelas minhas dúvidas, a pergunta impõe-se. Quem é que não presta? Nós?

Quero deixar aqui um exemplo deste nosso Portugal, para perceber afinal quem é que deve imigrar? Para quê falar de lugares longínquos, eu tenho residência em Odemira. Falo de Odemira. Também é Portugal, ou estarei enganado?

Naquela altura o Perímetro de Rega do Mira era bombardeado diariamente por milhões de Escudos e Euros, e os «visitantes» estavam a chegar de malas e bagagens, era a Europa a entrar sem pedir licença. Para se apoderarem desta parte de Portugal, para grande contentamento e satisfação das gentes cá da terra. Era o frenesim do Brejão. Planeamento, acompanhamento por parte das autoridades sempre foi nulo. O desgoverno total, o início daquilo a que chegamos hoje. A pequena factura que temos que pagar, pelo bem governados que temos sido. Pagavam aos do campo para não produzir, ou para semear e não colher. E de volta para a cidade que lá é que as coisas acontecem, lá é que nos encontramos com o pessoal que aparece na Televisão, lá as novelas tem mais encanto. Os portugueses de sempre, da agricultura e da pesca, já tinham destinado marcado, extinção. Para dar lugar aos parasitas, os empresários agrícolas & afins, feitos à pressa, para mais uma vez saquear o «campo», literalmente para mamar os subsídios, comprar jipes e montes, hoje abandonados. E agora a merda somos nós!?

Quanto aos «Camones», já era tudo deles naquele tempo. Chegaram para dominar, e continuam a fazê-lo até aos dias de hoje. Uma parte desses «empresários» já partiu, levando os milhões que eram para desenvolver e fazer crescer Portugal. A outra parte, continua por aí, a pôr e dispor, e sempre na primeira linha para abarbatar o dinheiro que supostamente seria para desenvolver e fazer crescer o país. O resultado está à vista, em 2012 a realidade é a que temos aqui e agora. Emigrem que isto é tudo deles. Mesmo assim os nossos governantes, os pequeninos e os grandes, fogem da verdade a toda a hora. Podia ficar um par de horas a debitar a incompetência de quem tem conduzido o rebanho, mas já não é preciso, este é um momento de LUTO, está tudo dito, é o fim da linha.

Esta coisa de votar e eleger os representantes, foi criada há já muito tempo, quando a maior parte das pessoas era honesta. Hoje as coisas não são assim, tudo muda. Prometem uma coisa e fazem outra, são mentirosos. Muda tanto, que democraticamente és convidado a deixar de ser, a passar a ser o que eles querem, neste caso ou imigras, ou... E quem nos tem governado estes últimos 30 anos, pode ser muita coisa, mas honestidade zero.

Já sabemos que não vamos mudar o mundo, mas isso também não tem importância nenhuma neste caso, mudem Aveiro, mudem Cacilhas, mudem S. Martinho das Amoreiras, Beja, Évora, a Zambujeira de Baixo...mudem Odemira, não acreditem que a passividade, ou os outros vão resolver os vossos problemas. Pelo contrário, os outros querem isto para eles, à maneira deles. Uma grande parte de nós está a mais, dizem eles. Não se esqueça amanhã pode ser você...já pensou? Qual o país que escolheu para imigrar? Pode sempre voltar, 2 ou 3 semanas por ano, passar férias e contribuir para os seus amigos, os mesmos que agora a estão a mandar trabalhar, fora daqui...para eles.

O que aconteceu a Odemira nos últimos 20 anos? O que vai acontecer nos próximos 20 anos? Como tem evoluído Odemira? E os seus filhos? É esse o seu sonho? Ver os seus filhos imigrar?

Estou mesmo a ver, num momento de descontracção, falando de desemprego e desempregados, um deles mandou a boca e a coisa pegou...é a minha vez de mandar a boca, em relação às cidades, então nós temos que pagar na A22 e os senhores em vez de taxar quem entra de carro nas cidades, onde há metro, eléctrico, autocarros, barco, comboio à disposição e pago por todos, obrigam-nos a ir morrer na N125? Estão assim tão desesperados? Mandarem-nos imigrar não é suficiente?

Aproveito para desejar a todos boa sorte, nessa aventura, dura, que é ter que abandonar o nosso país e os nossos, que tudo corra bem.

Este incentivo para mim não é novo, faz agora 15 anos, que me «empurraram» daqui para fora. O preço a pagar por defender aquilo em que se acredita. Mas desistir nunca! Foi em 1996, já eu vivia em Odemira, como se pode constatar, nem foi no tempo do Salazar, nem tão pouco para fugir à guerra colonial, fui «expulso» para dar lugar a outros. Acontece, é a vida. Como está a acontecer agora, só que desta vez, o convite é generalizado, é feito aos Portugueses.

Projectos como o «Hortas do Mira», promovem estas situações.

Cumprimentos,

José Nazaré



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