Segunda, 13 Fevereiro 2012 10:29    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Um ano de casamento
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Histórias

Um ano de casamento

A capitã Almeida e a cabo Carvalho, ambas da GNR, assinaram em Fevereiro de 2011 a sua união civil

Há um ano, uma jovem tenente e uma instrutora com o posto de cabo deixaram os seus nomes gravados na história da GNR: casaram e tornaram-se no primeiro casal homossexual a assumir o relacionamento dentro da instituição militar. Patrícia Almeida, de 28 anos, hoje capitã e comandante do Destacamento Territorial de Vila Nova de Milfontes, e Teresa Carvalho, de 40 anos, formadora na Escola Prática da Guarda, em Queluz, casaram a 27 de Fevereiro de 2011, numa Conservatória do Registo Civil de Lisboa. A cerimónia reservada, que juntou um grupo restrito de familiares, amigos e colegas, selou uma relação de quase cinco anos, escondida até então devido aos preconceitos que ambas ajudaram a combater.

"Quando o assunto se tornou público, não foi nada fácil para a capitã. Ela própria teve medo da reacção do comando e da forma como iria passar a ser tratada", diz um militar na altura colocado no Destacamento Territorial de Santarém, que Patrícia Almeida comandava há um ano e meio. "Com o tempo, ela percebeu que ninguém lhe perdeu o respeito, até pelo contrário. A maioria admirou a coragem que tiveram ao assumir o relacionamento", afirma o guarda, acrescentando que "isso quebrou muitos tabus na GNR".

Na altura chegou a pensar-se que a capitã tinha guia de marcha assinada para o Comando Administrativo dos Recursos Internos da GNR, em Sta. Apolónia, Lisboa, mas Patrícia Almeida permaneceu no comando do destacamento de Santarém mais seis meses, até Setembro de 2011. "Era para a proteger da exposição pública negativa, mas ela também nunca precisou disso. Ficou, impôs-se e ganhou a admiração do pessoal que chefiou", refere um sargento que esteve sob as suas ordens.

A transferência para Vila Nova de Milfontes, no Baixo Alentejo, não foi do seu agrado, pois o objectivo da capitã Patrícia Almeida era ser colocada perto de Queluz, onde reside com a companheira. E não escondeu o descontentamento num jantar de despedida organizado pelos militares de Santarém, que decorreu nas instalações do União Futebol Clube de Almeirim. "Chegou a desabafar que toda esta situação serviu-lhe, pelo menos, para abrir os olhos em relação a muita gente", contou um dos 40 guardas que marcaram presença na homenagem.

NATURAL DE SEIA

Natural de Seia, distrito da Guarda, e formada na Academia Militar, Patrícia Almeida Loureiro conheceu a cabo Maria Teresa Dias Carvalho na Escola Prática da Guarda, em Queluz, onde esta é formadora de investigação criminal há mais de dez anos.

A cabo, nascida em Praia da Vitória, Açores, é dona de um currículo impressionante: foi a primeira mulher em Portugal a tirar um curso de manutenção de ordem pública e é especialista em situações de sequestro e tomada de reféns. É formadora de agentes da PSP e inspectores da Polícia Judiciária. As suas capacidades atléticas são conhecidas na GNR, sobretudo no corta-mato, onde ao longo dos anos tem vindo a somar títulos em provas oficiais.

O relacionamento amoroso começou durante o período em que Patrícia Almeida frequentou o curso de promoção a capitã. Quando o concluiu e foi colocada em Almeirim (onde na realidade se situam as instalações do Destacamento Territorial de Santarém) o casal já vivia junto, no apartamento de Teresa Carvalho, em Queluz, onde continuam a morar. Tentaram sempre evitar a exposição pública, mas era frequente a cabo deslocar-se ao Ribatejo para ir buscar a companheira.

Patrícia Almeida disse à Domingo que não quer, "de forma alguma", falar sobre questões da sua vida privada. A instituição militar, por seu turno, "não faz quaisquer comentários sobre este assunto", segundo uma fonte oficial do comando da GNR, que acrescentou: "Ambas são excelentes militares, com um comportamento irrepreensível a nível profissional. O resto está dentro da Lei e faz parte da intimidade de cada uma".

CM



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