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Crónica: Bispo de Beja
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07/05/2012 - 14h46

Crónica: Bispo de Beja

Comunidade europeia e solidariedade

1. A unidade europeia e a paz
Neste fim de semana houve eleições em França e na Grécia, dois países da comunidade europeia, o primeiro com uma economia forte a querer impor as suas regras aos outros membros, o segundo, a depender de ajuda externa. Os arrazoados dos candidatos e dos partidos a concorrer à liderança dos respectivos países nem sempre vão no sentido da construção da comunidade das nações da Europa. Ao ouvi-los, através dos meios de comunicação social, fica-se com a ideia de que alguns não sabem valorizar os bens de que usufruem pelo facto de pertencerem a esta comunidade. Alguns até falam de renegociar acordos comunitários ou até mesmo deixar a comunidade europeia ou pelo menos o grupo dos países de moeda única.
Embora não sendo politico, desejo deixar aqui uns breves pensamentos sobre a importância desta realidade surgida depois da segunda guerra mundial, inspirada em princípios de raízes cristãs, até mesmo pelo facto de os seus fundadores serem cristãos convictos.
A unidade é sempre um valor, ao contrário da desunião. Mas esse valor tem diversas dimensões, umas mais motivadoras para a construção da comunidade que outras. Infelizmente, muitos fixam-se apenas nos aspectos económicos e financeiros. São sobretudo estes que, frequentemente, originam a divisão e a discórdia, até mesmo as guerras. Neste momento de crise económica a Europa corre o perigo de se desagregar, se dermos atenção a certos políticos e comentaristas.
Isto seria uma grave perda para a Europa, um retrocesso e até mesmo um perigo para o mundo. Neste sentido, a Igreja Católica, através dos seus mais altos representantes, o Papa Bento XVI e em Portugal a Conferência episcopal, têm alertado para o valor do projeto europeu como um avanço civilizacional, um projeto de identidade cultural que os cristãos e as pessoas de bem deverão acarinhar e fomentar.
A assembleia dos bispos portugueses, reunida em Fátima de 16 a 19 de abril passado, emitiu uma nota pastoral breve e importante, mas que parece ter passado desapercebida. Nela se reafirmam os valores sobre os quais se fundou esta comunidade e que lhe dão uma identidade cultural e espiritual, que devem ser recordados neste momento de crise económica, para não se retroceder, por causa de algumas deficiências no processo de construção.

2. Solidariedade e fortalecimento da comunidade
Nesta breve nota chamo a atenção apenas para um dos princípios importantes para progredir na construção do projecto cultural da comunidade europeia. Refiro-me à solidariedade em tempo de crise económica, um dos princípios básicos da doutrina social da Igreja. A economia baseada apenas no mercado e na justiça não fomenta a unidade. A solidariedade entre os povos, entre as famílias e as pessoas tem de ser um valor sempre presente nas relações sociais e humanas.
Na encíclica Caritas in veritate, nº 23, Bento XVI afirma: sem formas internas de solidariedade e de confiança recíproca, o mercado não pode cumprir plenamente a própria função económica. E no número 38 escreve: Na época da globalização, a actividade económica não pode prescindir da gratuidade, que difunde e alimenta a solidariedade e a responsabilidade pela justiça e o bem comum em seus diversos sujeitos e actores.
É pois interesse do próprio desenvolvimento integral da sociedade e da pessoa humana que não se descure a solidariedade em tempo de crise e que não se abandone a construção da comunidade europeia por motivo de nacionalismos ou egoísmos económicos.
Sem solidariedade a unidade não se constrói e a paz corre perigo. Que o dia da mãe, ocorrido neste primeiro domingo de maio, símbolo da vida, do carinho e do amor, penetre o coração e a convivência dos europeus, motivando-os para se empenharem mais fortemente na construção duma Europa solidária e unida.
E termino apontando um exemplo de comunidade internacional, multicultural, ecológica, solidária e feliz. Refiro-me à comunidade Tamera, na freguesia de Relíquias, concelho de Odemira, fundada há cerca de 15 anos, com mais de 200 membros, de todas as idades e de diferentes proveniências, que vive dos recursos da natureza, enriquecendo-a, respeitando a biodiversidade e fomentando um desenvolvimento sustentável. Passei umas horas com esta comunidade, no dia 6 de maio e fiquei convencido que no Alentejo se pode combater a desertificação da natureza e demográfica com novos modelos de vida social, respeitadores da natureza e da dignidade das pessoas. Deste modo o Alentejo se torna realmente terra de pão e de paz.

† António Vitalino, Bispo de Beja


Posted: 2012-05-07 15:46:00



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Actualizado em ( Segunda, 07 Maio 2012 15:43 )
 

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