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Vice-presidente da Câmara de Odemira revela que turismo activo, desportivo e de natureza é a grande aposta da autarquia para o sector.
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| Helder António Guerreiro, vice-presidente da Câmara MUnicipal de Odemira, 41 anos, natural de São Teotónio (Odemira) |
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Sexta-feira, 01 de Junho de 2012
TEXTO: Carlos Pinto FOTO: José Tomé Máximo
Vice-presidente da Câmara de Odemira revela que turismo activo, desportivo e de natureza é a grande aposta da autarquia para o sector.
"Odemira tem falta de um hotel"
Odemira é o maior concelho do país em área. Quando o será também no turismo? Essa é uma questão complexa [risos]! Neste momento estamos a tentar encontrar o nosso espaço no espectro turístico, não só numa perspectiva de espaço mediático mas também de competência do próprio território! Ou seja, não queremos ter um turismo que seja só de sol e mar, apesar de essa ser uma componente forte no turismo e da oferta turística do concelho. O que queremos é, de facto, investir na componente de turismo activo, desportivo e de natureza. Até a própria alteração do nome da Feira de Turismo em Vila Nova de Milfontes tem que ver com isso. Estão a entrar num novo ciclo? E esta é a primeira focagem: em que tipo de oferta é que o concelho de Odemira se pode diferenciar relativamente àquilo que o circunda, seja na perspectiva do Algarve seja até na perspectiva do resto do Alentejo Litoral. Nós temos sol e mar, mas temos uma componente orográfica e paisagística muito mais interessante na globalidade do concelho. Por isso, queremos apostar no turismo activo, desportivo e de natureza! E aí queremos ser os maiores… Muito rapidamente! Nesse sentido, que estratégia tem seguido a autarquia? Num primeiro momento, fizemos uma parceria com a Associação Casas Brancas, no sentido de ser implementada uma rede de percursos pedestres, tendo em conta que essa é uma das componentes ligadas ao turismo de natureza e activo. Agora estamos a trabalhar com uma universidade e na feira vai ser apresentado o primeiro conjunto de identificação de um conjunto de percursos de BTT. E estamos a apostar no caiaque-mar! Já desafiámos a Federação Portuguesa de Canoagem para em 2014 se candidatar a fazer na nossa costa o Europeu de caiaque-mar. Noutros desportos de ar livre, vamos ter este ano em Vila Nova de Milfontes uma prova do campeonato nacional de voleibol de praia e a final do campeonato nacional de clubes de voleibol de praia. E temos durante a feira do turismo um torneio internacional de ténis de praia. Na prática, querem cativar turistas que não se fiquem pelo registo "habitação-praia-habitação"? Esse tem de ser o foco: turismo de natureza, turismo activo e desportivo. É onde queremos afirmar-nos e que isso seja bom para todo o Baixo Alentejo! Que peso já tem o sector turístico na economia do concelho? Se pensarmos no número de empresas [de Odemira] associadas nos diferentes sectores, o sector terciário tem 53% das empresas. E grande parte delas na área do turismo! A questão é que do ponto de vista do PIB municipal, Odemira tem uma diversidade muito interessante! A área agrícola tem um forte pendor na actividade económica, a floresta e pecuária também. Ou seja, são três sectores muito equiparados em termos de riqueza criada e que o concelho de Odemira tem como mais-valia. Para o concelho de Odemira estavam previstos três grandes projectos turísticos (Vila Formosa, Algoceira e Aivados), avaliados em quase 500 milhões de euros. Qual o ponto da situação relativamente a cada um deles?Estão em pontos muito diferentes! No caso de Vila Formosa, apesar de ser uma das expectativas mais antigas, continua a ser um projecto que está a ser trabalhado do ponto de vista do ordenamento para poder ser implementado, ainda que muito mais pequeno do que aquilo que era previsto. Mas o investidor continua interessado em executar o projecto! Já o projecto de Algoceira esbarrou claramente num conjunto de recursos naturais que não foi possível ultrapassar e, portanto, está parado. Há naquela zona valores naturais que o projecto poderia prejudicar e foi a própria União Europeia a dizer que não seria aconselhável implementar o projecto por questões ambientais. Finalmente, Aivados era um projecto muito interessante e bem trabalhado com o Parque Natural [do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina] e o Instituto da Conservação da Natureza, mas esbarrou na capacidade de investimento do promotor. Acredita que alguns destes três projectos irá um dia estar a funcionar?Neste momento, julgo que não há muitas condições para termos a curto-prazo estes projectos alavancados e implementados no terreno! Odemira não ficará com falta de camas turísticas? Odemira tem falta de um conjunto turístico que permita acolher um grupo de 100 ou 200 pessoas. Só o Zmar Eco Camping & Resort [N.d.r.: parque de campismo de cinco estrelas localizado na freguesia da Zambujeira do Mar] tem capacidade para alojar um conjunto alargado de pessoas. E se pensarmos nessa perspectiva de grupo, temos falta de camas turísticas. Odemira tem falta de um hotel! E já temos falado várias vezes se não será necessário a Câmara alavancar esse projecto de um hotel com capacidade para 100 ou 200 pessoas, o que não quer dizer que seríamos nós a gerir esse espaço… Dariam apenas o "pontapé-de-saída"? Tal qual fizemos no Matadouro do Litoral Alentejano (MLA), em que fomos um parceiro activo no início. E agora que este já está a começar funcionar, podemos começar a fazer um phasing out do MLA e começar a equacionar integrarmos outros projectos. E um hotel é claramente uma necessidade do concelho de Odemira, que talvez precise da Câmara Municipal, em parceria com outros empresários, para se iniciar um projecto desta natureza. Considera a vila de Odemira a localização ideal para esse hotel? Não seria preferível fazê-lo em Vila Nova de Milfontes ou na Zambujeira do Mar, duas zonas bem mais apelativas do ponto de vista do turista? A vila de Odemira precisa [de um hotel]! E com o projecto de reestruturação que estamos a fazer em Odemira, juntamente com as ligações de barco que estamos a fazer entre Odemira e Vila Nova de Milfontes, estamos a tentar que também Odemira possa adquirir do ponto de vista turístico alguma centralidade. Aliás, a ideia de um museu que estamos a desenvolver é um bocado nessa perspectiva! Em que medida o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e as suas regras constrangem o desenvolvimento turístico no concelho de Odemira? Neste momento alavancam! É verdade que os valores naturais impediram que se tivesse feito o Algarve nesta costa. Mas até tenho dúvidas sobre isso, pois não temos o clima do Algarve nem as praias do Algarve, com areais a perder de vista… Temos sim praias pequenas, que convidam a público diferenciado que não um turismo de massas. Mas depois de muitas incompreensões de parte a parte, estamos a chegar a um ponto em que os promotores e os actores turísticos que neste momento existem [em Odemira] dizem que a mais-valia é a existência do parque. A própria agricultura também diz que a mais-valia é o parque, porque podem vender produtos diferenciados! Ou seja, o Parque Natural já não é aquele entrave que em tempos foi contestado por alguns agentes económicos e autarcas? O Parque Natural e os valores naturais em presença foram um entrave a uma ideia de oferta turística que agora já não é viável fazer. A "luta" foi ganha pelos valores naturais, que formataram a oferta que temos hoje: turismo em espaço rural, com pequenas unidades e a recuperação de edifícios já existentes, e muito turismo dentro dos aglomerados urbanos! "Em Odemira queremos apostar no turismo activo, desportivo e de natureza! E aí queremos ser os maiores… Muito rapidamente!" "Odemira tem falta de um hotel! E já temos falado várias vezes se não será necessário a Câmara alavancar esse projecto de um hotel com capacidade para 100 ou 200 pessoas." "Os valores naturais formataram a oferta que temos hoje [em Odemira]: turismo em espaço rural, com pequenas unidades e a recuperação de edifícios já existentes, e muito turismo dentro dos aglomerados urbanos!"
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