Quinta, 31 Julho 2014 11:39    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Um fim-de-semana de autocaravana na Costa Alentejana
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Um fim-de-semana de autocaravana na Costa Alentejana

 

A frieza dos factos não me deixa mentir: vivemos num pobre país com pouco mais de 92 mil km² e 2 mil km de costa. Um pequeno grande país que nos últimos séculos aprendeu a viver com o pouco que tem e a dar a volta à questão com uma criatividade fora do normal. E se hoje somos donos de uma gastronomia riquíssima, ímpar e surpreendente, só podemos agradecer ao nobre desenrascanço dos nossos antepassados. Foram eles que operaram uma verdadeira revolução gastronómica e nos puseram a comer tanto e tão bem. Talvez por isso seja tão difícil conhecer a nossa gastronomia até ao osso, mas vale sempre a pena tentar uma e outra vez. E um bocadinho de cada vez, para não pesar tanto na consciência.

Na hora de pôr pés ao caminho, as perguntas legítimas sucedem-se: Norte ou Sul? Litoral ou Interior? Carne ou peixe? Vamos por partes. Primeiro é preciso ter estômago. De preferência um estômago de aço. Depois acrescente-lhe alguns euros, uma boa dose de espírito aventureiro e poucos preconceitos alimentares – só provando é que se percebe que há tanto sangue azul num arroz de cabidela como em toda a família real portuguesa, por exemplo.

E como contornar a velha e sempre dispendiosa questão do alojamento? É fácil. Se quiser trocar a pipa de massa que gasta num quarto digno por uma pipa de vinho numa tasca castiça qualquer, sugiro uma solução “2 em 1”: transporte com alojamento. Uma solução versátil, confortável e economicamente muito mais viável, principalmente se juntar à festa um par de amigos para dividirem as despesas – o desenrascanço crónico português ao serviço de quem quer divertir-se, poupar e comer bem.

E foi isso mesmo que fiz. Apontei para Sul e fiz-me à estrada com um casal amigo, disposto a realizar uma jornada épica pelos caminhos das maravilhas gastronómicas alentejanas. Uma curta viagem de fim-de-semana que também serviu para confirmar o que todos suspeitamos: a nossa gastronomia é demasiado grande para um país tão pequeno. Foi, portanto, um “vou ali e já venho”. Porque, afinal, o país até pode ser pequeno, mas enquanto houver iguarias para descobrir haverá sempre motivos para voltar à estrada.

Saí de Lisboa de manhã cedo e só parei em Porto Covo. Uma breve paragem técnica que serviu para esticar as pernas e abastecer um pastelinho no “Marquês”, um café/restaurante no largo principal desta aldeia piscatória lindíssima. O pastel homónimo vale a visita:  seco e feito à base de ovos, laranja e gila, parece que foi inventado para comer à esplanada num dia de sol radioso, acompanhado de um café e do jornal do dia.

Dica: Se o calor for muito e quiser prolongar um pouco mais a estadia por estas paragens, uns quilómetros mais atrás pode dar um mergulho nas águas cálidas da praia de São Torpes – cortesia da inenarrável central termoeléctrica situada nas traseiras da praia.

Pastelaria Marquês

Largo Marquês de Pombal, 10

7520-437 Porto Covo

Telefone: +351 925 647 800

Coordenadas: 37.851650, -8.791755

De volta à autocaravana, a partir daqui foi sempre a subir ao nível da comezaina, apesar de continuarmos em direcção a Sul. Para almoçar, a escolha recaiu sobre O Sacas, no topo de uma falésia muito perto da Zambujeira do Mar.

Aqui o peixe-aranha não pica, come-se bem envolvido num polme fofo e saboroso com umas migas simples de pão, alho e coentros. Crocantes por fora e macias por dentro, ganham um toque especial com umas gotas de limão espremido na hora.

Para os indefectíveis da comida substancial, a cozinha também serve uma gloriosa feijoada de búzios. Feita com feijão encarnado e pedaços de búzio tenro, leva umas rodelas de chouriço para compor o ramalhete. Para facilitar a vida a quem lava a loiça, varre-se o molho cremoso, denso e apaladado com bocados de pão alentejano fresco.

De sobremesa, recomenda-se uma fatia de tarte de alfarroba, figo e amêndoas. Um doce forte e guloso, que se aguenta muito bem com uma selecção de vários licores feitos pela patroa.

Dica: Se for no Verão, tente reservar uma mesa à esplanada – o vento fresco e a paisagem magistral ajudam o estômago a abstrair-se da trabalheira que vai enfrentar.

Restaurante o Sacas

Estrada da Barca 7630-785 Zambujeira Do Mar

Telefone: +351 283961151

Coordenadas: 37.525470,-8.784850

Depois de um curto passeio a pé pela aldeia para desmoer, surgiu inevitavelmente uma das perguntas mais difíceis do dia: onde vamos dormir a sesta? A praia de Odeceixe foi a escolha acertada. Deserta, silenciosa e com um pôr-do-sol magnífico.

Com o relógio biológico alinhado, subimos em direcção a Vila Nova de Milfontes para jantar e pernoitar. Cerca de 45 minutos de viagem por estradas secundárias, a um ritmo deliciosamente lento, que serviram para eleger o próximo restaurante: a Tasca do Celso.

A escolha é óbvia e está longe de ser um segredo bem guardado, mas justifica-se plenamente dada a galhardia deste estabelecimento. Na Tasca do Celso todos os detalhes são importantes: o ambiente acolhedor, a decoração discreta e requintada, o serviço simpático e profissional, a excelência da matéria-prima, uma extensa carta de vinhos com tudo o que é bom e pratos excepcionais. Um sítio para quem gosta de comer e para quem gosta de comida – o melhor de dois mundos.

Se tivesse que escolher um único prato da ementa (uma tarefa ingrata e injusta, diga-se), talvez escolhesse a deliciosa ventresca de atum. Um pedaço alto e generoso de atum como manda a lei, tostado por fora e quase cru por dentro, com batata doce e courgette grelhada. De sonho. Para a sobremesa há doces típicos como a sericaia com ameixa de Elvas, mas se estiver numa de poupar o aparelho digestivo faça como eu e peça antes uma peça de fruta: uma mousse de lima e manjericão fresca e muito pastosa. Cinco estrelas.

Dica: seja época baixa ou alta, convém sempre reservar mesa com alguma antecedência, principalmente se for ao fim-de-semana.

Restaurante Tasca Do Celso

Rua dos Aviadores

7645-225 Vila Nova de Milfontes – Odemira

Telefone: +351 283 996 753

Coordenadas: 37.724855, -8.783714

Depois de mais um passeio pelas ruas de Vila Nova de Milfontes, o descanso merecido. Estacionou-se a autocaravana num sítio aprazível ali à mão e o sono e o silêncio fizeram o resto.

Acordar de manhã cedo em frente à praia depois de uma bela noite de sono é uma bênção. Encontrá-la ainda deserta e oferecer-lhe as primeiras pegadas do dia é um privilégio reservado a pouca gente, por isso convém celebrar o momento com a devida pompa. Uma corrida à beira-mar foi o mote perfeito para enfrentar a fila da Mabi e os seus famosos croissants, no centro da vila.

Toda a gente que vai à Mabi sabe que o pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia e a fila à porta não deixa margem para muitas dúvidas. Mas também não é preciso esperar muito, porque os croissants estão sempre a sair do forno a um ritmo alucinante. Recomendo vivamente os croissants de chocolate e de ovos com amêndoa - gordos, gulosos e viciantes, trincam-se com redobrada meiguice para não deixar escapar o delicioso recheio ainda a ferver. E depois? Depois só se for mais um passeio pela praia para facilitar a digestão e combater o arrependimento.

Pastelaria Mabi

Largo de Santa Maria 25

7645-313

Portugal

Telefone: +351 283 998 677

Coordenadas: 37.726632, -8.781526

De regresso a Lisboa, paragem estratégica para almoçar o famoso pato assado no forno da Tia Rosa, em Melides. Um pequeno tesouro à beira da estrada, ideal para quem passou o fim-de-semana a comer peixe e quer matar saudades de um bom prato de carne. Eu, portanto.

Num cenário simples e desprovido de grandes adereços para ninguém se distrair, todas as atenções estão viradas para o bicho lustroso servido em tacho de barro com um amontoado de batatinhas e rodelas de laranja. Tenríssimo, untuoso e impecavelmente assado, sabe literalmente a pato e pode (e deve) ser acompanhado com um maravilhoso arroz de miúdos. Húmido e com uma camada de ovo estaladiça no topo, ajuda a empurrar o bicho na perfeição.

Restaurante Tia Rosa

Fontainhas do Mar, Melides

7570 Melides

Telefone: +351 269 907 592

Coordenadas: 38.181470, -8.729035

Dica: quando chegar a casa, faça o maior bule de chá que tiver e reze muito antes de se pesar na balança. Boa sorte.

Agradecimento especial: ao Ricardo da West Coast Campers, que cedeu esta maravilhosa autocaravana e ajudou a tornar inesquecível este fim-de-semana. Mais informações: aqui.

 

 



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