Quinta, 08 Janeiro 2015 11:30    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Em nome dos chãos coloridos
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Em nome dos chãos coloridos


Ana Faísco, 38 anos, natural de Beja

Licenciou-se em Arquitetura na Universidade do Porto. Tem trabalhado na áreas de gestão urbanística e ordenamento do território, nas câmaras municipais de Serpa, Beja, Vila Verde e, atualmente, Odemira. A aventura dos mosaicos hidráulicos surgiu de uma vontade de libertação artística e criativa, mas o afeto e o reconhecimento pelas pessoas depressa mostraram que também é um projeto social, um singelo contributo para a consolidação da identidade cultural do Alentejo.


Há um soalho que está na memória coletiva de todos. Facilmente identificável pelos seus vários padrões e cores. Aplicados nas casas mais antigas, mas atualmente até nas mais modernas. Trata-se, nada mais, nada menos, dos famosos mosaicos hidráulicos. 


Como e quando começou o projeto Mosaicos d’ Alcaria?
Sou arquiteta e apaixonada pelos mosaicos hidráulicos: cimento e mármore de cores vibrantes e que de forma tão genuína decoravam o chão das casas do nosso Alentejo. Quando em 2011 comprei uma casa antiga para reabilitar, só encontrei duas fábricas em Portugal, com demasiadas encomendas e sem simuladores virtuais que facilitassem a escolha de padrões. Por que não tornar uma paixão numa forma de vida e que ainda por cima eleva a tradição e o design português? Assim nasceram no final de 2013 os Mosaicos d’Alcaria, impulsionados pelo concurso de empreendedorismo da Associação Acredita Portugal, que de entre mais de 14 000 projetos premiou a nossa ideia como uma das 150 semifinalistas. Os timings do apoio comunitário têm atrasado o pleno arranque da laboração, mas felizmente contamos com a ajuda de um artesão andaluz até à total implementação da nossa oficina, que prevemos acontecer em meados de 2015. O local escolhido foi a casa dos meus avós, na aldeia de Alcaria da Serra, concelho de Vidigueira, onde tinham uma “venda” e “loja”, e agora, para além da oficina, terá alojamento para visitantes da aldeia, ou para participantes em workshops de mosaicos que iremos promover.


Em tempos, estavam aplicados em várias habitações. O que os fez desaparecer?
Não foi certamente a degradação, estes mosaicos duram mais do que uma vida. Quantos de nós temos ainda pais ou avós que vivem numa casa com o chão colorido? Com estes autênticos tapetes de cimento e pó de mármore? Na década de 80 a entrada avassaladora de produtos industriais no mercado, mais baratos e símbolos de uma modernidade pela qual o povo ansiava, determinou o desaparecimento das fábricas artesanais. Em Beja, a reputada fábrica do João da Palma formou artesãos que por sua vez fundaram os seus próprios negócios.


Estão, porém, a regressar às casas portuguesas?
“Mosaicos d’Alcaria, Casas com alma”. Este slogan é a razão de ser do feliz regresso dos mosaicos hidráulicos às casas portuguesas. Ao contrário dos produtos industriais, os infinitos padrões e combinação de cores resultam em espaços únicos e com identidade cultural. 


São as técnicas tradicionais de produção que os distinguem?
Para além das óbvias vantagens de personalização de cores e padrões, e da sempre possível repetição sem esgotar modelos como acontece na produção industrial, as técnicas usadas são sustentáveis, pois os mosaicos são imersos em água, por isso o nome “hidráulico”, e secam naturalmente ao ar.


Resolveu, porém, dar-lhe também nova vida…
Iniciámos experiências de tábuas de queijo, tabuleiros e caixas, incorporando mosaicos em peças de madeira, e ambicionamos criar mobiliário e outros objetos decorativos. Lançámos ainda uma coleção de mosaicos com técnicas de impressão, alusivas ao cante alentejano. Mas uma das mais-valias do projeto será a loja on line com simulador integrado, que permitirá o upload de fotografias reais para experimentação de padrões e cores, sejam espaços a reabilitar ou imagens virtuais de edifícios a construir. Bruna Soares

https://www.facebook.com/mosaicosdalcaria?fref=nf





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Actualizado em ( Quinta, 08 Janeiro 2015 11:36 )
 

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