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ODEMIRA 2016 - 2026
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ODEMIRA 2016 - 2026

Grandes desafios para os próximos 10 anos


2015-12-09
Odemira passa por um período de forte investimento no setor agrícola. Este investimento irá impor à região um conjunto de novos desafios para os próximos anos

Considerando apenas os projetos que são conhecidos no momento, e que já se encontram no terreno de forma efetiva, estima-se que nos próximos 5 anos serão cultivados de forma intensiva mais cerca de 400 ha, dos quais cerca de metade serão destinados a túneis para culturas forçadas, na maioria em sistema de hidroponia (cultura realizada em substrato inerte e não diretamente no solo).

Em termos médios, para o período de um ano completo, serão necessários cerca de mais 8.000 trabalhadores rurais, que se irão juntar aos 4.000 ou 5.000 já existentes, o que permite concluir que nos próximos 5 a 10 anos o concelho terá pelo menos 12.000 estrangeiros a trabalhar na agricultura, caso se mantenha a atual estratégia de contratação.

Com o aumento do número de trabalhadores rurais na região, o atual problema de habitação tenderá a agravar-se. A maior parte das novas empresas irá obrigatoriamente promover habitação nas próprias explorações, como já acontece, mas esta solução poderá não ser suficiente.

Estas alterações na estrutura económica local trarão um conjunto de transformações que irão para além do setor económico, afetando a estrutura social, de infraestruturas, cultural, etc.

Mas este é apenas um dos desafios que se irá colocar a Odemira nestes próximos 10 anos. Haverá desafios decorrentes direta e indiretamente do aumento da atividade agrícola, mas também outros decorrentes da alteração da estrutura social.

A forte procura por propriedades agrícolas dentro do Perímetro de Rega do Mira (PRM) a que se assiste atualmente, com forte subida do preço do fator terra, associado a um cada vez mais competitivo setor da carne, com margens muito esmagadas, irá determinar o encerramento e venda das poucas pecuárias que ainda subsistem dentro do PRM, com conversão em unidades dedicadas à hortofruticultura.

Seguem-se os principais desafios que se irão colocar a Odemira, no período 2016-2026.

  • Emprego

O emprego em Odemira enfrenta duas realidades aparentemente contraditórias:

Por um lado, o concelho continua a ter uma taxa de desemprego elevada, resultante dos despedimentos realizados no comércio/serviços e nas associações e afins que eram fortemente subsidiadas pelo erário público e resultante do desmantelamento da indústria da construção e da falta de obras públicas e privadas na zona de Sines, que absorviam bastante mão-de-obra do concelho;

Por outro lado, o concelho tem cada vez mais necessidade de mão obra para a agricultura, em especial, para a hortofruticultura, setor para o qual a mão-de-obra local disponível em Odemira tem pouca apetência.

O aumento das necessidades de trabalhadores rurais terá algum efeito sobre o desemprego no concelho de Odemira, ainda que julguemos não muito expressivo. As necessidades de mão-de-obra irão ser mais prementes ao nível dos trabalhadores rurais, mas qualquer uma das unidades agrícolas que se está a instalar terá também pessoal de escritório e pessoal de armazém.

A população de Odemira tem alguma aversão ao emprego na agricultura, a não ser que seja mais qualificado, como é o caso do emprego no escritório ou no armazém das explorações agrícolas. Desta forma, esses empregos a criar por novas unidades serão decerto absorvidos pela mão-de-obra local. Muito mais emprego poderá ser criado de forma indireta, pois todas estas empresas vão necessitar de um conjunto de serviços que, em parte, serão adquiridos localmente.

Desta forma e ao nível do emprego, os grandes desafios que Odemira enfrenta na próxima década serão:

Ao nível da população ativa local, conseguir atrair novas empresas nos setores secundário e terciário que absorvam o desemprego local;

Ao nível da mão-de-obra necessária para a agricultura, conseguir inverter esta estratégia de “importação” de mão-de-obra, substituindo-a por uma estratégia concertada de atração de trabalhadores portugueses de outras regiões, nomeadamente, do Norte do País.

  • Turismo

A realidade do turismo no concelho de Odemira passa pelo Turismo Rural, que foi alvo de um grande desenvolvimento na última década e cujo número de unidades tenderá a estabilizar, uma vez que o atual quadro comunitário de apoio não prevê apoios substanciais para novas unidades.

O setor do turismo em Odemira tem pela frente um conjunto de desafios que terá de ultrapassar:

Conjugar as práticas turísticas e a capacidade de atração, com a dinâmica crescente da atividade agrícola intensiva;

Conseguir ultrapassar o congestionamento provocado pela sazonalidade, aumentando a taxa de ocupação média anual, que continua baixa para a maioria das unidades;

Localizar e investir na divulgação junto de novos nichos de mercado para vender o produto turístico existente, sobretudo fora de época.

  • Mobilidade (Transportes/Acessibilidades)

Este é um dos maiores problemas de Odemira. A falta de uma rede de transportes públicos reduz substancialmente a circulação de pessoas dentro do concelho, sendo afetada não só a população mais idosa, que é cada vez mais representativa da população local, mas também a população carenciada.

Desta forma os principais desafios que Odemira enfrentará na próxima década, ao nível da mobilidade, são os seguintes:

A necessidade de criação de uma rede pública de transportes, por exemplo com minibus, que permita a ligação entre as várias freguesias do concelho e a sede do concelho, a funcionar todo o ano;

A manutenção da rede viária municipal e dos caminhos vicinais, sobretudo, os caminhos integrados no Perímetro de Rega do Mira para que as empresas agrícolas possam transportar os seus produtos para fora do concelho e assim manterem a sua atividade;

Encontrar mecanismos de pressão junto do Governo Central, para que seja construída uma melhor via de acesso à A2, que é o principal eixo viário do sul do país, sendo Odemira um dos poucos concelhos que não tem acesso viário direto a essa via.

  • Habitação

Ao nível da habitação e como já defendido em números anteriores deste jornal por vários cronistas, é fundamental a reabilitação dos centros históricos das várias localidades do concelho que, na sua maioria, se encontram bastante abandonados.

Os maiores desafios colocam-se nos seguintes níveis:

Aproveitamento dos fundos comunitários disponíveis até 2020 e muito centralizados na reabilitação urbana;

Reabilitação dos centros urbanos, em especial, o centro urbano da vila de Odemira, mas também de outras freguesias como S. Luís, Sabóia, etc;

Agilização nos processos de licenciamento de obras de reabilitação junto dos serviços camarários.

  • Indústria

O setor da indústria em Odemira estava confinado fundamentalmente ao setor da construção que com a crise imobiliária vivida nos últimos anos ficou totalmente pulverizado, tendo praticamente desaparecido enquanto indústria.

Apesar de existirem atualmente sinais de retoma no imobiliário, continua a existir uma oferta forte de habitação, sobretudo junto ao litoral, onde o arrendamento tem consubstanciado a única alternativa ao escoamento dos imóveis. Este aspeto associado ao facto da banca nacional ainda não ter começado a financiar novas operações imobiliárias, faz prever que pelo menos nos próximos 5 anos não existirá muita atividade de promoção imobiliária.

Este contexto determina que ao nível da indústria Odemira enfrente os seguintes desafios:

Necessidade de uma estratégia de atração e fixação de empresas, nos setores industrial e de comércio/serviços;

A desburocratização no processo de atribuição de lotes nas zonas industriais de génese municipal;

Agilização dos processos de licenciamento de novas unidades industriais ou de comércio/serviços.

  • Área Social

Na área social, o maior desafio que Odemira atravessa, tal como a maioria dos concelhos de interior é o envelhecimento da população.

A este nível os maiores desafios para a próxima década serão:

Aumentar o número de camas nas estruturas residenciais para idosos (vulgo lares);

Fomentar o apoio domiciliário aos idosos, criando estruturas de apoio que permitam que continuem a viver nas suas próprias casas;

Aumentar as respostas de ATL – Atividades de Tempos Livres, por forma a ocupar os jovens nos períodos fora da época escolar;

Integrar as comunidades imigrantes que se estabeleceram em Odemira para trabalhar na agricultura;

Apoiar os nacionais provenientes de outras regiões do país que venham trabalhar na agricultura, ajudando-os a fixarem-se em Odemira;

Criar uma verdadeira política social, através da promoção de estruturas residenciais para idosos de natureza privada, destinadas às pessoas com maiores rendimentos, fazendo com que as estruturas existentes e fortemente subsidiadas sejam dirigidas às pessoas com menores rendimentos e que realmente necessitam de apoio social.

  • Área Ambiental

Na área ambiental, os principais desafios que Odemira enfrentará na próxima década serão:

Manter o equilíbrio entre os valores naturais e a atividade agrícola;

Agir sobre a paisagem, em especial dentro do Perímetro de Rega do Mira, para reduzir o impacto visual da atividade agrícola intensiva, através do estabelecimento de um Plano Estratégico de Paisagismo.

Paulo Barros Trindade

mercurioonline



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