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AHSA Associação dos Horticultores do Sudoeste Alentejano
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AHSA Associação dos Horticultores do Sudoeste Alentejano

2016-01-08
O MERCÚRIO foi procurar saber o que é e o que faz esta associação que reúne as principais empresas de horticultura do Sudoeste Alentejano

Paul Dolleman, um holandês (“holantuguês”, diz em tom de brincadeira) que vive há mais de 30 anos em Portugal, mais do que a metade da sua vida, casado com uma portuguesa com quem tem dois filhos, e que preside a AHSA, conta um pouco do desenvolvimento da horticultura no Perímetro de Rega do Mira.

Paul ainda não conseguiu compreender o porquê da quase completa omissão, por parte da sociedade odemirense, do impacto que deve ter tido nas populações e em cada indivíduo, toda a construção do Perímetro de Rega do Mira, desde a barragem até aos canais distribuidores de água. “Parece-me um assunto tabu. Que isto não é nosso mas de outros. Só agora esta estrutura enorme começa a ser realmente aproveitada como deve ser mas a obra deve ter tido um impacto brutal em toda a população que cá vivia”, diz.

Eventualmente o esqueleto que foi a fábrica de tomate, e que faliu, deve ter tido alguma influência nisso. “Quando cheguei a Odemira a Cooperativa já estava meia falida mas penso que isso deve ser um dos pontos que reflete o tal tabu”, acrescenta.

Ou talvez tenha faltado alguma informação às populações locais acerca do valor e da importância desta obra e de como usar o recurso disponível.

O QUE É A AHSA E QUAL O SEU PAPEL

A AHSA surgiu em 2004 da vontade de um grupo de empresa do PRM, na área da horticultura, fruticultura e floricultura, que abastecem mercados exigentes, semelhantes e seguem os mesmos valores no que respeita ao meio ambiente e à responsabilidade social.

A AHSA tem como objetivos defender os interesses comuns a nível local, nacional e internacional; promover a sustentabilidade e o crescimento sustentado da hortofloricultura no PRM e promover a cooperação económica, social e cultural entre as empresas associadas e a sociedade envolvente. A AHSA participa em vários projetos de responsabilidade social, tal como a Comissão Municipal do Imigrante e a Rede Social e em projetos de parceria com o Parque Natural.

Tem 12 empresas associadas numa área total de produção de aproximadamente 2000 hectares, em que 57% são hortícolas ao ar livre (batata-doce, cenouras, couves, abóboras, salsa de raiz, rabanetes, alho francês, saladas e espinafre baby leaf, ervas aromáticas, nabos, batata); 18% ornamentais ao ar livre (bambus e relva) 21% frutos vermelhos em túneis (framboesas, mirtilos e amoras) e 4% com produção de tomate e pimentos em estufas de vidro e plástico.

Empregam cerca de 2500 trabalhadores diretos em que 62% se concentram nas empresas produtoras de frutos vermelhos, 24% nas empresas com produção ao ar livre e 14% nas estufas.

No seu conjunto os associados da AHSA têm um volume de vendas de 76 milhões de euros em que 85% é referente à exportação (horticultura ao ar livre: 39%, frutos vermelhos: 39%, horticultura em estufas: 19%,produção de ornamentais: 3%).

Paul explica que “quando as empresas de fora começaram a instalar-se no PRM foi necessário explicar muito bem, às entidades portuguesas, o que é a horticultura. Daí a necessidade de se formar uma associação para se poder ter uma voz comum e fazer o marketing do potencial desta área.”

“A primeira ação foi a pressão para a revisão do Plano de Ordenamento. Trouxemos muitos ministros e um Presidente da República para dar a conhecer a realidade da horticultura na área e o potencial do PRM. Um dos grandes problemas que temos aqui são 6 legislações em cima do mesmo território, PRM, PN, PO, REN, RAN, PDM, que complica o investimento, por falta de regras claras,” acrescenta.

Outra iniciativa da AHSA foi a criação de um Contrato Coletivo de Trabalho local. “As condições de trabalho na horticultura praticada no PRM pouco têm a ver com o resto do país. Ficámos todos a ganhar com esta alteração: trabalhadores e empresários”, conclui.

A AHSA tem tido um grande papel nesta voz comum dos empresários que sentiram a necessidade de definir as regras da horticultura. “Agora só falta o tal entendimento. Precisamos de uma gestão séria do território e isso não se faz com seis entidades, umas por cima das outras. E não podemos estar à espera que os ministérios em Lisboa nos digam o que fazer, sobretudo se já for tarde demais. Esta é uma tarefa local. Temos de ser proativos. Isto é uma mensagem importante para o interesse de todos: dos produtores hortícolas, dos técnicos, dos políticos, das populações... de todos. E a AHSA há muito que luta por isso”, afirma Paul.

 

AS EMPRESAS DE HORTICULTURA INSTALADAS NO PRM

Para Paul “mais importante do que a AHSA é o conjunto das suas empresas associadas e o negócio dentro do PRM, essa obra tão importante agora procurada por todo o mundo, com água em abundância e a preços acessíveis, numa zona com um clima único e com espaço de produção disponível.”

Ainda nos anos 70 (do sec.XX) houve algum investimento na zona com capital italiano e mais tarde espanhol. No início dos anos 80 um americano, Bill Bond, instalou um pivot de rega na Flor do Brejo, para produzir alface Iceberg.

As empresas ‘históricas’ que começaram a investir neste Perímetro de Rega, e que ainda continuam a produzir são a Iberian Salads, agora Vitacress, a Frupor e o Bambuparque. Todas baseadas na exportação. “Elas surgem para fornecer os seus clientes do norte da Europa, grandes cadeias de supermercados que pretendiam comercializar os mesmos produtos todo o ano”, diz Paul. Tendo sido, numa primeira fase, mais fácil importar da Califórnia, rapidamente essas empresas se aperceberam das condições ótimas do sul da Europa, que são o clima, o espaço e a quantidade de água disponível, mas também da distância.

Nos finais dos anos 80 instala-se a Odefruta, de Thierry Roussel. Mas a empresa faliu em 1994. Para Paul por má gestão - “Mercado havia, como ainda há para quem queira e consiga produzir a qualidade certa ao preço certo com continuidade. E no nosso caso o mercado é Europeu”, diz.

Ainda hoje Thierry Roussel e a Odefruta são uma sombra sobre o PRM. No entanto atraíram muita atenção para a zona e as empresas por cá instaladas aproveitaram-se da situação para também conseguirem subsídios para investimento nas suas explorações.

“Correu mal com Thierry Roussel mas a inação da Caixa Geral de Depósitos foi bem pior. Deixaram ir tudo ao fundo em vez de agir e dar continuidade ao projeto. Estufas, filtros de rega, bombas de água... estava lá tudo no lugar que ainda hoje é ‘prime’: o Brejão”, diz Paul. “E continuam a ser as melhores propriedades do PRM para a Horticultura. Os técnicos de Roussel acertaram em cheio na localização”, remata.

Durante um período de 5 ou 6 anos nada aconteceu. Com a passagem do El Niño e de uma série de invernos rigorosos o que se poderia ter aproveitado passou a problema ambiental. “Transformou-se numa autêntica Bagdad”, comenta Paul. “Havia plástico por todo o lado. Mais tarde um investidor português comprou a propriedade e fez exatamente aquilo que o banco deveria ter feito 6 anos antes”.

A PRODUÇÃO DOS FRUTOS VERMELHOS

No final dos anos 90, começou o interesse pelos pequenos frutos. “Com a chegada da Driscoll’s, que reconheceram o potencial do PRM, com bom clima e água em abundância e a preços acessíveis, para produzir morangos, framboesas, etc... o negócio começou a florescer”, diz Paul.

Na altura a Driscoll’s trabalhava ‘sozinha’ mas, com as suas primeiras colheitas, conseguiu cativar outros investidores a produzir para eles. Essa foi a sua intenção. Este processo continua a funcionar com grande sucesso. Empresários locais, e de fora, que começaram com meio hectare de produção, hoje têm 40 ou 70 hectares a produzir pequenos frutos com volume de vendas dos vários milhões de euros. “Atrás falava-se no fracasso da Cooperativa mas aqui está um exemplo de sucesso”, afirma Paul. Entretanto instalaram-se no PRM outras empresas, concorrentes da Driscoll’s, que estão a adaptar o mesmo modelo de operações.

A CULTURA EM HIDROPONIA

A qualidade dos solos é relativa porque tudo depende do tipo de produção. O principal, aquilo que de melhor existe no Perímetro, é o clima, a água e o espaço. Três fatores essenciais que não existem em qualquer parte da Europa, e que são perfeitos para fazer crescer rapidamente produtos como os ‘babys’.

Há ainda culturas que não necessitam do solo propriamente dito, usam-no apenas enquanto espaço, porque utilizam o sistema de hidroponia, deixando o resto com o clima e a água.

Para produzir uma planta a hidroponia utiliza água, adubo e lã de rocha ou turfa, onde cresce a planta, e tudo é controlado. É a solução perfeita para os casos de solo sem qualidade, e não só.

 

A SUSTENTABILIDADE DO PERÍMETRO DE REGA DO MIRA

 

AMBIENTE

São frequentes as queixas dos agricultores relativamente a S. Pedro. Qualquer fator atmosférico influencia a produção agrícola.

Hoje, na horticultura, pode-se controlar o clima até à perfeição e o exemplo disso são as estufas de vidro. Para Paul “quanto maior for o controlo maior é a eficiência.”

Numa produção controlada a utilização de fungicida é residual, uma vez que não se utiliza o solo mas a lã de rocha. Não se gastam herbicidas nem inseticidas. E as pragas, os insetos nocivos à produção, são eliminadas através de predadores biológicos. “Em termos ambientais não existe desperdício, não há poluição. Não é uma agricultura tão idílica, mas não se consegue alimentar a população mundial apenas com a agricultura tradicional. Temos de ser verdadeiramente profissionais. Hoje é impensável alguém produzir um automóvel numa oficina atrás de casa. A agricultura está a passar pelo mesmo processo” acrescenta.

No PRM assistimos ao aumento dos pequenos frutos produzidos debaixo de túneis que em si já têm um maior controlo da produção do que em campo aberto. Não é tão bonito. “O impacto visual pode ser grande mas o impacto ambiental é muito menor. Também o desperdício é menor, o que torna todo o processo mais sustentável. Cada fator de produção pode ser controlado: água, adubo, pesticida, quilowatt, joule ou lux. E no final, a quantidade de quilos de produto vendável, de primeira qualidade, é muito maior numa estufa comparativamente a uma produção ao ar livre. Este é o futuro”, conclui Paul.

As empresas associadas da AHSA, e a maioria das empresas do PRM, são exportadoras e para entrar nos mercados do norte da Europa são necessários vários certificados. Há um controlo muito apertado. Na certificação de Boas Práticas Agrícolas, a utilização de produtos fitofarmacêuticos, por ex, tem Níveis de Resíduos Máximos legais, estipulados pela União Europeia. Mas as cadeias de supermercados do norte da Europa exigem metade desses valores.

Mais de 20 anos após a criação de uma estrutura imensa, com um investimento enorme do contribuinte, que é o PRM, demarca-se, por cima disso tudo, um Parque Natural. “Não é o PRM que invade o PN, é o contrario”, afirma Paul Dolleman - “Isso até pode ser positivo, pode ser uma boa ferramenta de marketing. Em princípio deveria ser uma mais-valia. Mas a ideia que dá é que a implementação do PN não foi muito bem pensada. Espero que daqui a uns anos possamos dizer que foi uma grande ideia ter colocado um parque natural por cima do PRM e que tenha tido um bom resultado. Temos recebido vários clientes de norte da Europa, proprietários dos grandes supermercados, que adoram esta zona. A realidade é que a qualidade que se produz aqui é ótima e podemos vir a conseguir melhores preços de venda. Tem essa mais-valia mas tem de ser tudo muito bem trabalhado”.

RESPONSABILIDADE SOCIAL

Condições de trabalho

Para muita gente a ideia de agricultura ainda é ter uma enxada na mão, trabalhar a terra com enorme esforço, debaixo de sol ou da chuva, com plantas a morrer, muitas ervas e estar exposto a enormes quantidades de pesticidas tóxicos.

“Voltando à indústria automóvel. Numa fábrica tudo está pensado para que qualquer movimento seja o mais eficiente possível. Nas estufas da Atlantic Growers, por exemplo, (associada da AHSA) é igual. As culturas são feitas na altura certa, o clima é perfeito todo o ano, os carros para a apanha são elétricos, etc.., o output de cada pessoa e a rentabilidade é muito melhor e isso só se consegue com condições de trabalho muito humanas”, comenta Paul.

O Presidente da AHSA conhece bem o mundo agrícola. “Há muitas zonas como Odemira na Europa para onde vão muitos emigrantes trabalhar, principalmente na horticultura. Isso não é novidade. Acho que se pode aprender muito com os outros”, diz.

Condições de acolhimento

A horticultura está em crescimento e é preciso gente para trabalhar. Criaram-se muitos postos de trabalho e todos os trabalhadores precisam de condições para viver: trabalhar, comer, dormir e usufruir dos seus tempos livres. Neste momento não há, no concelho de Odemira, estruturas locais para fazer frente a este fenómeno. E isso precisa de ser resolvido.

Há várias maneiras de o fazer como por exemplo a construção de zonas de habitação social, para os trabalhadores permanentes, nas zonas de Odemira, S. Teotónio, Brejão, etc.,. “Em Inglaterra, na Holanda ou na Alemanha o mais comum são habitações temporárias junto às explorações: caravanas ou contentores com as condições mínimas de habitabilidade. Parece-me que essa seja a maneira mais lógica para resolver, a curto prazo, o problema em Odemira”, diz Paul.

Acrescenta que “seria importante a legalização, a desburocratização e a regularização da possibilidade das empresas terem os seus próprios espaços de habitação provisória até por uma questão de controlo. É sempre melhor quando uma empresa contrata tudo diretamente. Dessa forma evita-se que vivam 20 e 30 pessoas numa mesma casa como imagino que possa acontecer”. A Câmara Municipal de Odemira tem aqui um papel fundamental, nomeadamente no planeamento.

Trabalhadores portugueses vs trabalhadores de outras nacionalidades

Nas campanhas de plantação e colheita, a maioria dos trabalhadores são oriundos de países como a Bulgária, a Roménia, a Tailândia, o Nepal, a Índia... Seria bom entender porque é que há tão poucos portugueses neste trabalho. Principalmente no norte do país, há muitos portugueses que vão fazer exatamente o mesmo trabalho noutros países, sobretudo no norte da Europa. Porquê? Se vão para lá com o mesmo intuito daqueles que vêm para cá: trabalhar e ganhar o máximo possível, qual é a diferença? Para Paul “em Odemira há boas condições de trabalho e boas remunerações para quem quer trabalhar. Seria interessante fazer-se um estudo da realidade do mundo agrícola lá fora e em Odemira: quantas empresas existem exatamente, quantos postos de trabalho geram, quanto pagam em média, que custo tem cada quilo produzido...”

A perceção geral é de que a horticultura em Odemira só emprega emigrantes mas Paul garante que “é uma falsa questão. Ninguém fala da quantidade de postos de trabalho diretos, evidentemente em menor número mas são muitos, dos quadros técnicos e de todos os serviços que estão ligados à horticultura. Engenheiros, escriturários, e outros técnicos qualificados. E 99% dos casos são ocupados por portugueses que vivem no concelho. É uma pequena percentagem neste setor mas são com certeza mais do que a resposta dos outros setores juntos”.

Exploração dos trabalhadores

Para a AHSA e os seus associados o que interessa é o custo de unidade de coisa produzida. E sem condições humanas não há máxima produtividade. Na produção dos pequenos frutos 50% (ou mais) dos custos são com pessoal. Não é tanto o valor da hora que interessa mas a quantidade que cada um apanha num determinado tempo. Tudo passa pela produtividade. “E quem ganha muito pouco com certeza que produz muito pouco”, diz Paul.

A sustentabilidade das empresas hortícolas passa pela flexibilidade do trabalho. Quem quer trabalhar mais e melhor para ganhar mais, deveria ter essa possibilidade. Não se sabe ao certo qual a média de remuneração do pessoal que trabalha nas campanhas mas Paul afirma que “muitos ganham muito acima do ordenado mínimo, mas trabalham para isso.” Acrescentando que “a única coisa que as empresas exploram é a vontade daqueles que querem trabalhar bem para ganhar melhor e enviar o máximo de dinheiro para casa, dando-lhes essa oportunidade, sempre dentro da legalidade”.

Assim como há um controlo muito apertado na certificação na utilização de químicos, também as certificações sociais são extremamente exigentes. “Posso pôr a mão no fogo pelas empresas associadas da AHSA que a exploração humana não existe”, garante Paul.

Com base no Contrato Coletivo de Trabalho (CCT) há um ordenado mínimo de base que é igual para todos. O que acontece agora, e que está previsto no novo CCT local, é que quem trabalhar melhor e mais rápido pode ganhar mais. São os chamados pagamentos mistos. “São pagamentos feitos em função da produtividade de cada um” diz Paul.

A grande maioria das empresas está a contratar diretamente o seu pessoal mas também utiliza alguns intermediários. No entanto sempre com empresas certificadas para o fazer, algumas são multinacionais. Paul não descarta a possibilidade de haver “algumas empresas não associadas da AHSA a explorar os seus trabalhadores mas, em termos de percentagem, deverá ser residual”.

 

ECONOMIA E RENTABILIDADE

A economia tem de funcionar e não pode haver conflitos porque o interesse é de todos e a economia do país precisa de investimento e de produção sustentáveis para que no futuro esse investimento se mantenha. E isso só é possível com entendimento entre todas as partes.

Quando se consegue controlar os vários fatores de produção menorizam-se os problemas e maximizam-se os resultados, melhora-se, portanto, a eficiência.

É verdade que quanto mais eficiente e mais industrializado for o processo maior o controlo por um menor grupo de empresas. No entanto nunca se produziu tanto com tão pouca utilização de recursos (cada metro cúbico de água, cada Jules e cada Lux), e com tão pouco impacto ambiental como hoje em dia (cada quilo de adubos e produtos fitofarmacêuticos). E nunca os produtos chegaram ao mercado a preços tão baixos.

O PRM tem as condições ótimas para produzir horticultura controlada. O Parque Natural é um fator acrescido e que poderá ser uma mais-valia para a produção agrícola e uma boa ferramenta de marketing. O problema é: como é que se controla tudo isto?

Com a implementação do PN houve vários conflitos entre a agricultura e o ambiente. Isso deu origem à revisão do Plano de Ornamento, aquele que hoje existe, e que reconhece dentro do PN o PRM como potencial de produção agrícola. “A partir daí a agricultura tem-se expandido muito. Com certeza que há algum impacto ambiental se compararmos com quando não existia produção agrícola, mas cada vez é menor. Mas também não faria sentido fazer-se um investimento enorme, como o Perímetro de Rega, com dinheiro dos contribuintes, e depois não produzir”, diz Paul. “Portanto, de um ponto de partida de muito pouco chegamos, hoje, a uma produção hortícola que ultrapassa, em muito, os 100 milhões de euros de volume de vendas, com cerca de 5 ou 6 mil pessoas a trabalhar nesta indústria. É aqui que estamos neste momento”, acrescenta.

As empresas da AHSA e a maioria das que trabalham na exploração agrícola dentro do PRM de Odemira têm sede no concelho. O capital pode ser estrangeiro mas as empresas são portuguesas (Lda., ou S.A.). Uma grande parte do capital é gasta com pessoal. São pagos impostos e segurança social. Há algum dinheiro que sai do país porque os trabalhadores estrangeiros enviam dinheiro para as suas famílias. Mas há muito mais que entra e a maior parte fica.

Paul diz que “uma qualquer outra indústria vai embora em três dias se for mais barato produzir na China mas com a horticultura não é bem assim. Precisamos do clima, da água e do espaço. E não há muito disso no mundo. Para certas coisas Odemira é única. Portanto, uma situação privilegiada. E para termos as empresas aqui, o país não pode estar alheio a isso.”

O peso da indústria hortícola é cada vez maior e é preciso controlá-la e regulá-la. Esse é um trabalho que tem de ser continuado. Há pouca interação entre as entidades. Paul reclama que “temos de ter ordenamento e para isso tem de haver entendimento para haver desenvolvimento do negócio porque há, cada vez mais, interesse das empresas em investir na zona e não se pode deixar cada investidor fazer apenas o que entende. Temos de criar uma plataforma de entendimento da gestão do território entre a ABM, o PN e a CMO (Câmara Municipal de Odemira). Temos aqui uma boa base para se fazer as coisas como deve ser.”

A UTILIZAÇÃO DOS RECURSOS DO PERÍMETRO DE REGRA DO MIRA

A horticultura surge com o PRM que, com toda esta evolução, é um dos poucos Perímetros, se não o único em Portugal, que fornece água durante 52 semanas por ano.

Hoje o PRM é a zona com maior produção e volume de vendas de todo o país com apenas 55% do Perímetro utilizado. Havendo ainda muito espaço por ocupar e água com fartura. Existe algum mal-entendido acerca da quantidade de água gasta com a horticultura. A verdade é que hoje gasta-se pouco mais do que a metade da água que se gastava há 20 anos, com muito mais produção e com muito maior volume de vendas. “Porque hoje em dia toda a horticultura utiliza sistemas muito mais sofisticados de rega comparativamente com o arroz e o pasto e com quando se abria uma torneira e se deixava a água correr. Não há qualquer comparação entre isso e os sistemas de gota a gota”, diz Paul.

A produtividade mudou. Talvez se produza mil vezes mais com metade do consumo da água. Não só pela eficiência dos sistemas de rega das empresas mas também pela melhor gestão dos recursos da água por parte da ABM.

HORTICULTURA VS IMPACTO VISUAL E TURISMO

Quando foi construído o PRM foram implementadas barreiras de vento e cortinas de abrigo vegetais que a certa altura, por decisão do tribunal, passaram a pertencer aos proprietários dos terrenos que as geriram a seu belo entender. E hoje há muito menos barreiras do que há 30 anos. No entender de Paul “isso é o pior crime ambiental da zona. As barreiras de vento foram implementadas por uma razão e, com a falta destas, a erosão é cada vez maior. Além disso as barreiras de vento serviriam também para minorar o impacto visual que as estufas (e a maioria é de plástico) geram hoje em dia.”

Evitar o impacto visual não é tarefa fácil. Tem de ser um projeto conjunto. Para Paul “deveria haver mais preocupação. Hoje quem tem 20 hectares pode simplesmente enchê-los de estufas mas poderá fazer o mesmo dividindo o terreno com barreiras vegetais. Há já quem o faça. As empresas grandes deveriam ter essa obrigação mas sobretudo pode haver melhor planeamento. É isso que a AHSA está a tentar encontrar com a ABM. Apesar de o PN ter sido implementado depois do PRM não deixa de ser um Parque Natural e as pessoas gostam de visitá-lo e deve-se evitar ao máximo o impacto visual da horticultura. O PRM é o que é mas a realidade é que o valor do turismo, essencialmente aquele junto à costa, é grande e temos de ter isso em conta e respeitá-lo.”

O que está a acontecer aqui não é novo no mundo, já aconteceu noutros pontos do globo e há bons exemplos que se podem copiar e até melhorar. Seria absurdo não aprender com os outros.

Paul Dolleman termina dizendo que “novamente, o que é realmente importante é fazer-se um estudo para saber a realidade do impacto destas empresas na economia em geral. Temos condições, água, espaço e clima e o interesse de quem quer investir nesta zona vai continuar. Temos aqueles fatores que não podem ser comprados. Somos abençoados!” (risos).

Por Pedro Pinto Leite

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