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VITACRESS Um grupo forte de produtos frágeis
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VITACRESS

Um grupo forte de produtos frágeis

2016-03-11
O sucesso está na relação com as pessoas

O MERCÚRIO visitou as instalações da Vitacress, um grupo empresarial que se dedica à produção, lavagem e embalagem de saladas e de ervas aromáticas, com sede no concelho de Odemira. Luís Mesquita Dias, Diretor Geral da empresa desde 2009, fez a visita guiada e fala um pouco acerca da atividade deste grupo.A Vitacress começou por ser uma empresa inglesa, que iniciou a sua atividade em Portugal em Almancil, no início dos anos 80 do século passado e que, na sequência do sucesso alcançado, instala em 1986 uma grande área de exploração, na Boavista dos Pinheiros, concelho de Odemira.

Em 2008 a empresa é adquirida pelo grupo RAR. O Grupo RAR integra um conjunto diversificado de negócios nas áreas alimentar, embalagem, imobiliária e serviços.

O Grupo Vitacress concentra todas as operações do Grupo RAR no mercado de produtos frescos: produção, lavagem, embalamento e comercialização de saladas e ervas aromáticas.

Juntando o que se produz em Portugal, na unidade de Almancil, com o que se produz em Inglaterra, a Vitacress é o maior produtor de agrião de água da Europa.

A NOVA GESTÃO

Com a chegada de Luís Mesquita Dias à Direção, constituiu-se uma nova equipa de gestão que praticamente se mantém até agora.

“‘Herdámos’ uma situação de resultados negativos e estamos neste momento já com um EBITDA (sigla inglesa para Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization, em português: Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações) positivo”, informa Luís, acrescentando que no ano passado, pela primeira vez, “mais do que um EBITDA positivo, passamos a poder pagar os encargos financeiros. Estamos, finalmente, a caminho de permitir ao acionista de ter um retorno do capital investido e estamos, naturalmente, muito satisfeitos com os resultados desta etapa de recuperação da empresa. Temos pessoas de muita qualidade e muito dedicadas”.

A MARCA

“Uma das coisas boas que eu acho que temos vindo a fazer é o desenvolvimento da marca, diz Luís. “A nossa empresa não é uma empresa agrícola, é uma empresa de produtos de grande consumo e de produção integrada que começa no campo e acaba no supermercado com a marca Vitacress”. E isso é algo que as pessoas que connosco trabalham, particularmente as mais novas e as que têm uma mentalidade mais comercial, valorizam porque sabem a importância que uma marca pode ter.

“Essa aposta tem sido um pilar de crescimento importante para a Vitacress. Uma marca distingue-nos dos produtos indiferenciados que facilmente são substituídos por qualquer outro”, diz Luís.

A marca Vitacress não existe em Inglaterra onde o mercado é quase exclusivamente ocupado pelas marcas da distribuição. Luís está convencido que “se não tivesse havido todo o trabalho que a Vitacress tem desenvolvido em Portugal, poderia ter-se passado o mesmo no nosso país. Com o que fizemos e apesar da importância que as marcas ditas brancas também têm por cá, conseguimos que Vitacress fosse praticamente o símbolo de uma categoria de produtos. Na cabeça dos consumidores somos para as saladas embaladas o que a Gillette é para as lâminas de barbear”.

O CAMPO

Nesta zona são 280 hectares de cultivo. Cerca de 250 no Concelho de Odemira e cerca de 30 no Concelho de Loulé, em Almancil, com o agrião de água. Dos 250 em Odemira 15% são cobertos e os restantes 85% são a céu aberto.

O investimento em estufas é muito grande mas Luís acha que, quando se avalia o mérito desse investimento, a tendência é não tomar em devida conta o custo que representa não as ter e o impacto dos danos como os sofridos no mês de fevereiro com a chuva e o granizo. “É uma coisa que temos de passar a incorporar na análise de investimentos: a redução do risco daquilo que se pode perder a céu aberto. O mês passado foi dramático, perdemos uma fortuna em dois fins de semana, uma verdadeira fortuna!”

Apesar de noutras atividades agrícolas já haver solução, continua a não estar resolvido o problema dos seguros de colheita para a atividade da Vitacress. Esta é uma atividade que trabalha com plantas muito frágeis e sensíveis e ainda não foi conseguido o equilíbrio entre o que as seguradoras exigem para segurar as colheitas e aquilo que as empresas conseguem pagar. Para Luís “pagar um dinheirão para segurar um risco não é segurá-lo é suportá-lo. Continuar a não conseguir segurar a custos comportáveis o que semeamos é correr sistematicamente, ano após ano, riscos que a prazo podem ser incomportáveis”.

Existe um trabalho em curso, iniciado pela Vitacress mas envolvendo também a AHSA (Associação dos Horticultores do Sudoeste Alentejano) por ser mais forte a negociação em bloco do que individualmente, junto das seguradoras e das resseguradoras e também junto do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, para se poder chegar a um entendimento.

AS PESSOAS

Segundo Luís, ainda persistirem algumas dificuldades no recrutamento de pessoas para determinados cargos devido à situação geográfica da empresa, eventualmente por os portugueses terem os seus laços familiares muito fortes “para o bem e para o mal”, e oferecerem alguma resistência à mobilidade. Mas a reputação da marca Vitacress tem vindo a combater esse obstáculo.

O número de pessoas da empresa em Portugal ronda os 300, com pequenas flutuações. A Vitacress não tem campanhas de produção ou de colheita e por isso Luís explica que “são 300 com um significado bastante diferente dos 500 ou 600 de algumas empresas aqui do concelho, porque praticamente todas as que trabalham connosco têm um emprego estável, efetivamente”.

Dessas 300 apenas 5% a 7% são estrangeiras porque “damos preferência à mão-de-obra portuguesa”, explica Luís.

Quando chegou à Vitacress Luís sentiu que havia a ideia preconcebida de que os portugueses não queriam trabalhar no campo “e com alguma justificação dado o tipo de atividade que têm alguns dos nossos vizinhos, cujas campanhas se concentram em muito pouco espaço de tempo”, comenta.

Outra ideia feita que Luís encontrou em Odemira era a da inevitabilidade de se ter de contratar pessoas apenas e sempre através de empresas intermediárias. “Foram essas duas barreiras que sem modéstia tenho de admitir que, por determinação minha, se quebraram nesta empresa. Não contra a mão-de-obra estrangeira mas a favor da portuguesa”, diz. Apesar de o resultado ser o mesmo a abordagem é muito diferente. A Luís faz-lhe confusão saber que o país tem tanto desemprego e não se esgotar tudo o que se poder fazer para dar mais emprego aos portugueses. “E estes têm vontade de trabalhar. E, desde que honesta e corretamente remunerados e orientados, são tão bons ou melhores que os outros. Por isso não há razão para que não tenhamos portugueses nos nossos postos de trabalho”, garante.

AS PRÁTICAS REMUNERATÓRIAS

Luís admite que o povo português tem ainda ajustes a fazer nalguns dos seus comportamentos de trabalho e que um estrangeiro emigrado ‘dá o litro’, todos os dias e de forma diferente do que um cidadão nacional, seja em que país for. “No entanto isso também se cultiva, também se melhora e também se incentiva com as práticas remuneratórias que se possam ter e que ajudam a que as pessoas se entreguem no trabalho com gosto e com determinação”.

Uma pessoa que trabalhe no campo ou na fábrica da Vitacress ganha, na base, sempre um pouco acima do ordenado mínimo, pelo menos. “Longe de mim dizer que isto é um bom ordenado mas estamos onde estamos e o mercado é o que é. E tudo tem a sua relatividade”, admite Luís. Mas garante que, dentro da atividade primária, não há muitas empresas a oferecerem um pacote remunerativo como o da Vitacress. Mais do que o valor absoluto, embora seja importante porque é com isso que as pessoas garantem o seu nível de vida, Luís faz questão que a em- presa pague acima da generalidade das empresas do seu setor de atividade.

Para além da garantia de um ordenado fixo, na Vitacress, as pessoas têm 2 ou 3 objetivos principais que não são muito difíceis de atingir e que se materializam em prémios remuneratórios acrescidos. “Não se trata de uma substituição do pagamento à hora por um pagamento por espécie. É ter um ordenado normal e em cima disso ter um prémio de objetivos”, explica Luís. “São práticas muito comuns noutras atividades mas não tanto no setor primário e ainda menos nos escalões básicos das pessoas que trabalham na fábrica ou no campo”, conclui.

Dentro da componente variável dos objetivos existem os objetivos individuais e objetivos de equipa. Estes prémios chegam a atingir os 15%. Em cima disso existe ainda o prémio de campo, que também ronda os 15%, “porque entendemos que a atividade de campo é dura e sujeita às intempéries”, explica Luís. Depois pode ainda haver horas extraordinárias.

Todas as pessoas têm naturalmente 2 dias de folga.

Um dos benefícios que a Vitacress proporciona às pessoas, e que estas muito valorizam, é um seguro de saúde universal, isto é, um seguro de saúde igual para todos independentemente do seu escalão dentro da empresa. Todas as pessoas em permanência na empresa têm o mesmo tipo de acesso à saúde.

A acrescentar àquele seguro a Vitacress proporciona, para quem precisar, consultas semanais com um médico de medicina geral, nas suas instalações da Boavista dos Pinheiros, nas quais existe ainda uma cantina onde as pessoas podem adquirir, por muito pouco uma refeição completa e bem confecionada como o MERCÚRIO, aliás, foi testemunha direta.

O IMPACTO

Um tema que gera controvérsia no concelho de Odemira é o impacto que as empresas hortícolas podem causar na paisagem, no ambiente e, consequentemente, no turismo.

Para Luís é possível a redução do impacto visual dos túneis e das estufas com barreiras de vegetação. As sebes, para além daquela função, cortam também o vento. Por outro lado as estufas permitem reduzir o impacto ambiental, um aspeto menos visível mas real, uma vez que utilizam muito menos água, pesticidas e outros produtos necessários para uma produção a céu aberto.

A Vitacress considera-se uma empresa ecológica. É catalogada pela McDonalds como ‘flagship farm’, um ‘rótulo’ que passa por um conjunto de critérios e de crivos tão apertados que só existem 24 empresas com essa distinção na Europa e em Portugal a Vitacress é a única. “E isso diz alguma coisa acerca dos cuidados que temos em termos ambientais”, afirma Luís.

Outra certificação que a Vitacress já tinha, e que mantém, é a inglesa ‘Conservation Grade’, que impõe que pelo menos 10% da área de cultivo seja dedicada à biodiversidade, isto é, que se cultive nesse espaço espécies autóctones que fomentem também a fauna da região e todo o ecossistema.

No campo da sustentabilidade é de referir o “Vitacress Conservation Trust”, que tem como objetivo preservar e conservar a vida selvagem e habitats associados às explorações agrícolas da Vitacress.

Para Luís, determinadas afirmações e declarações de princípio, sobre a preservação do meio ambiente, são feitas em abstrato sem ter em conta o impacto concreto que isso tem na vida das pessoas e no território. A preservação da autonomia de um país e da qualidade de vida das pessoas, que só uma sã convivência entre preservação do ambiente e desenvolvimento económico garante, não é de somenos importância.

“Dito isto, uma das vantagens da nossa zona (porque é daqui que estamos a falar) é que exportamos para mercados que são extremamente exigentes e que nos obrigariam, caso nós não tivéssemos essa perspetiva, a cumprir fortes práticas ambientais. Não sei se essa preocupação é genuína mas é tão genuína quanto eles a considerem necessária porque os seus consumidores estão devidamente informados e lhes exigem isso. Isto é um dominó virtuoso que nos obriga a atuar de forma equilibrada”.

O TURISMO

Luís não hesita e diz que “é evidente que tem de haver um equilíbrio entre a horticultura e o turismo”.

“Apesar das dificuldades que a promoção do PRM (Perímetro de Rega do Mira) possa causar e até dos obstáculos que possam existir e das antipatias que isso possa suscitar relativamente ao desenvolvimento do turismo, há lugar para todos e seria um crime, e um erro, que por causa disso não se atraia mais investimento. O país precisa muito de investimento. Não podemos dar-nos ao luxo de desperdiçar uma capacidade produtiva, como a que temos aqui, quando o país é já tão ‘rico’ em zonas onde nada se pode fazer”.

Comparativamente com outros países europeus, Portugal tem poucas zonas planas, poucas zonas livres de rochas e de montanhas onde praticamente não se pode cultivar e “estarmos, em cima disso, a criar ainda mais obstáculos é coisa que não nos devemos permitir”, afirma Luís e acrescenta que “temos gente carenciada de mais no nosso país e a precisar de riqueza para nos podermos dar ao luxo de sermos demasiado fundamentalistas nessa matéria. Nós aqui criamos riqueza nacional”.

O MERCADO

A quota de mercado da marca Vitacress em Portugal duplicou nos últimos 6 anos, num mercado que é essencialmente feito de produtos de ‘marcas brancas’ (as marcas da distribuição). “Nós temos conseguido combinar uma presença forte no fornecimento das marcas da distribuição com o crescimento sustentado da nossa própria marca. E isso dá-nos um certo conforto” afirma Luís.

Neste momento a percentagem da produção dedicada à exportação baixou de 40% para 35%. Mas isso não se deve à redução das vendas de produto exportado mas sim devido ao desenvolvimento da marca no mercado nacional que levou a um crescimento acelerado das vendas internas. Luís revela que “a nossa quota de mercado nacional anda pelos 45%, dos quais 20% são da marca Vitacress e 25% através de produto embalado para as marcas da distribuição”.

Para Luís o embalamento para a distribuição é inevitável uma vez que o mercado está assim organizado há muitos anos e que a Vitacress não sobreviveria de outra forma, com a estrutura que tem. “Fazemos é questão de que o peso da nossa marca seja constante, e cada vez maior, e que isso seja o nosso seguro de vida, já que não podemos ter seguro de colheita”, ironiza.

A qualidade intrínseca das diferentes marcas embaladas pela Vitacress é a mesma. Não há diferenciação. O que varia é o produto em si.

A LOGÍSTICA

“Esta é a atividade mais complexa em termos de planificação que eu, em 40 e tal anos de trabalho, já tive”, diz Luís.

A importância da logística neste setor é fulcral porque o produto é frágil e uma vez lavado perde tempo de vida útil. “O tempo de vida que damos ao produto lavado são 9 dias”, informa Luís. O que não é muito, sobretudo para o mercado da exportação.

A máxima distância que a Vitacress consegue transportar o produto lavado são cerca de 1500 km, daí este não ir além do norte de Espanha.

Entre setembro e maio todos os dias há um camião a sair de Boavista dos Pinheiros em direção a Inglaterra com produto não lavado. Esse produto é depois emba- lado no destino e distribuído.

O produto de exportação segue sempre via terrestre, com exceção de algum produto exportado para Angola que vai de avião. O barco e o comboio demoram muito tempo.

O FUTURO

O futuro passa pela exportação de produto embalado não lavado “e dessa forma podermos chegar aos países da Escandinávia ou à Rússia, se for caso disso” diz Luís. “O nosso futuro passa também pela grande ambição de crescer no mercado nacional. Não só ganhando quota do mercado no geral mas particularmente ganhando quota do mercado através da marca Vitacress”.

por Pedro Pinto Leite

mercurioonline



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