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A Odemira chegou bom vento e fez-se um bom casamento
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A Odemira chegou bom vento e fez-se um bom casamento

Antoni Jiménez é médico de família no Centro de Saúde de Odemira. Fez a especialização em Badajoz (Espanha) e veio para Portugal aos 30 anos

Diz-se que de Espanha não vem nem bom vento nem bom casamento. Aqui inverte-se o ditado. A Odemira chegou bom vento e fez-se um bom casamento. Quando o presidente da Câmara de Sines atravessou a fronteira em Badajoz e disse que procurava médicos para trazer para Portugal, Antoni Jiménez não teve dúvidas. O médico de família trocou Olivença, onde a língua e as tradições pouco lhe diziam por ser natural da Catalunha (nasceu em Girona), por Odemira, no litoral alentejano. Arrependido? "Por nada! Este é o melhor país para se viver. É o meu país do coração", diz sem qualquer hesitação.

"Tudo começou assim. Já gostava de Portugal. Quando era miúdo vinha com a minha avó ao alfaiate e comprar café a Elvas. Diziam que era o melhor. Nunca pensei que ia acabar aqui. Quando fiz a minha especialidade médica em Badajoz a primeira coisa que fiz foi trazer a minha mulher [colombiana] a conhecer Portugal", recorda. Chegou a Odemira no dia 12 de dezembro de 2000, debaixo de um "tempo horrível". Tinha 30 anos. Hoje tem 46 e dois filhos "portugueses" de 10 e 11 anos. "Sou 99% português e já nem sei escrever bem na minha língua."

Chegou à terra alentejana quando o escudo ainda era a moeda e a autoestrada entre Alcácer do Sal e Badajoz não estava concluída. "No princípio não percebia bem o que diziam. Engolem um pouco as palavras, ainda mais com o sotaque alentejano." Agora até ele já tem um pouco de sotaque e aprendeu muitas palavras típicas das aldeias: as dores nos artelhos ou no toutiço (zona da nuca, pescoço). E ainda não parou de aprender. "Há pessoas aqui que ainda vão ao amanhador [endireita]. Temos de estar preparados. Outros também procuram na internet os sintomas que têm. Temos de saber ter resposta para tudo. A medicina não é uma ciência exata. Todos os dias se aprende", diz.

O galo que ia morrer de velho no jardim

O à-vontade diz muito da sua personalidade descontraída. Não é, por isso, de estranhar que hoje muitos o tratem pelo nome ou por Dr. Toni - "algumas pessoas não conseguem dizer Antoni" - e não raras vezes lhe batam à porta do consultório, no centro de saúde, para saberem se tem lugar para mais um na lista de utentes. "Isto é como um carro. Se tem cinco lugares não podemos levar lá sete, senão a polícia passa multa", brinca. Na lista já tem umas 1900 pessoas. É trabalho das oito às oito, com excelentes colegas de todas as profissões que elogia. Não percebe como os médicos portugueses não querem ir para ali. "Depois de mim, só mais um colega entrou para o quadro."

Das gentes da terra tem recebido carinho e os tradicionais mimos que muitos gostam de dar. "Uma vez trouxeram-me um galo numa caixa. Só se fosse para ficar a morrer de velho no jardim. Foi de novo com a senhora. Eu gosto da vida, estou para cá para cuidar, não para a tirar", diz, entre sorrisos. Da zona onde vive, que adotou como sua, gosta de tudo. Das praias, do sossego, das pessoas. "Não trocava por nada do mundo. As pessoas são de um respeito, têm uma maneira de estar muito amável. Portugal é um país com uma personalidade tão grande, não é cópia de ninguém, com um povo cativador e pacífico."

A calmaria, que assusta muitos e tem desertificado as zonas mais rurais, não o faz ter saudades da confusão da cidade. "Como fiquei tão impressionado - é um sonho estar aqui - nunca precisei disso. Ocupo o meu tempo a ajudar as pessoas, as coisas materiais não me enchem. Tenho tido sempre o apoio da minha mulher. Acordo a ouvir as ovelhas e os galos que tenho ao pé de casa, não preciso de pensar se vão assaltar o carro, as pessoas cumprimentam-se todas na rua", explica o médico.

Girona, a cerca de 60 quilómetros de França e onde nasceu, era grande, confusa, agitada. Mas já não tem para ele, apesar do carinho pela terra natal onde ainda moram os pais, aquele sentimento de casa. "Quando venho de avião de Barcelona e aterro em Lisboa, sinto que já estou em casa. E quando venho de carro parece que nunca mais chego. Quando atravesso a fronteira parece que até respiro outro ar."

Coentros, sopas e chás

Em casa do médico é um festim de culturas e sabores. A mulher fala espanhol da Colômbia, Antoni fala catalão e os dois filhos do casal, português. "É uma confusão de línguas cá em casa. Existem muitos false friends com o espanhol e o português [palavras iguais mas com significados diferentes]", explica.

As misturas espelham-se também no prato. "Aqui há muitas sopas. Gosto de todas: caldo verde, juliana. Há marisco muito bom e... coentros. Coisa boa que não conhecia. Na minha terra usa-se mais salsa. Uma coisa curiosa é que há muitos chás. Lá é o chá preto e o resto são infusões." Mas não há bela sem senão. Sente saudades das lentilhas, do galão e meia de leite, do café mais fraco.

Há planos para voltar à terra natal depois da reforma? Antoni não tem dúvidas: "Lá já não conheço ninguém. Fico aqui até bater as botas!"

Para entender a Espanha
Dança - "A sardana é a uma dança típica da Catalunha, que tem origem grega. Dança-se em roda, é a música popular mas tocada por uma orquestra."

Comida - "O presunto é muito bom. E há a paelha de marisco, a comida de todos os domingos feita pela minha mãe. A horchata, bebida feita de cereal, também é muito boa."

Turismo - "A Costa Brava é muito bonita. Com praias e vilas lindas. É para onde vão muitos portugueses."

Hospitalidade - "As pessoas são muito simpáticas, dadas a ajudar os outros e trabalhadoras."

Cultura - "A diversidade cultural é o que caracteriza a Espanha. Com as suas regiões diferentes, sítios completamente distintos, é ao mesmo tempo unida."



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