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António Camilo faz um balanço positivo do seu trabalho
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A três meses de deixar a presidência da Câmara Municipal de Odemira, António Camilo faz um balanço largamente positivo do seu trabalho e considera que nestes últimos 12 anos o maior concelho de Portugal reconquistou a esperança.

 


 

 

Quarta-feira, 10 de Julho de 2009

A três meses de deixar a presidência da Câmara Municipal de Odemira, António Camilo faz um balanço largamente positivo do seu trabalho e considera que nestes últimos 12 anos o maior concelho de Portugal reconquistou a esperança.
Nome:
António Manuel Camilo Coelho

Cargo:
Presidente da Câmara Municipal de Odemira (CMO) desde 1997, eleito pelo PS

Naturalidade:
Zambujeira do Mar

Percurso:
Foi vereador da CMO entre 1993 e 1997; presidente desde Janeiro de 1997; é presidente da Associação de Municípios do Litoral Alentejano.

António José Brito
José Tomé Máximo

Vila de Odemira será totalmente requalificada

 

António Camilo não volta a ser candidato à liderança da Câmara de Odemira e ainda não sabe o que vai fazer no futuro. Nesta entrevista concedida ao “CA”, apresenta um balanço largamente positivo dos 12 anos que leva na liderança da autarquia, mas faz críticas duras à empresa Estradas de Portugal, por causa da situação “inadmissível” das estradas nacionais que atravessam o município. Por outtro lado, considera que as obras profundas de requalificação da vila de Odemira são um importante projecto para o futuro. E anuncia um investimento inovador de vários milhões de euros no sector do turismo.

Que balanço faz das propostas apresentadas para o mandato?
Do que nos propusemos fazer não faltará muito para estar cumprido. No final do mandato, se não tivermos a electrificação rural toda feita, faltará muito pouco. Porque entre 2003 e final de 2006 fizemos mais de 200 electrificações.

Parte significativa do orçamento da Câmara de Odemira, como da grande maioria das autarquias, depende de fundos comunitários. Como é que as coisas têm corrido em termos de aprovações e financiamento?
Têm corrido bem. No III Quadro Comunitário, se não fomos a primeira Câmara [a ter mais projectos aprovados no Alentejo] estamos seguramente entre as primeiras três. Conseguimos financiamentos na ordem dos 20 milhões de euros, porque temos um gabinete técnico que funciona bem e as candidaturas também correram do melhor modo. E sobretudo temos uma coisa que faltou a outros municípios: capacidade própria de auto-financiamento.

A electrificação rural é a grande marca deste mandato?
A electrificação e as estradas. São as coisas que sustentam as pessoas no território e, convém recordar, nós fizemos cerca de 140 electrificações nos montes isolados com painéis solares. Apostámos nisso e temos resultados: o concelho tinha 26.418 habitantes em 1991 e, 10 anos depois, tinha 26.106. Apesar da perda de pessoas, houve um travão e estou convencido que, com os estrangeiros que moram no concelho, já estamos a subir em termos populacionais. Por outro lado, evidentemente que isto obrigou a um esforço financeiro grande e a uma constante procura na captação de apoios a partir de fundos comunitários.

A situação financeira da Câmara de Odemira é boa?
A nossa situação financeira é boa em termos de estabilidade, mas não é tão boa em termos de tesouraria. Quem tem o orçamento que nós temos, basta um contrato-programa não ser pago ou os fundos comunitários virem atrasados para termos uma tesouraria sem muito dinheiro em caixa.

Aponta a rede municipal de estradas como uma bandeira do mandato, mas na rede nacional a má situação não se inverteu?
Não se inverteu e eu penso que, de algum modo, há aqui duas outras vias que até pioraram. Essa é uma queixa que eu não retiro.

Tem obtido explicações da Estradas de Portugal?
Vão dizendo que não há dinheiro e começo a estar habituado a muitas mudanças. É quase como quando muda o Governo: os ministros que vêm a seguir nunca sabem onde é que os papéis andam. E depois temos de fazer tudo de novo. No caso das estradas de Odemira, com o potencial que o concelho tem, não haver uma “espinha dorsal” que nos liga à capital do distrito e a Lagos, acho que é francamente mau. E não estou a falar de auto-estradas, porque nessas vias as pessoas passam e não param cá.

Que exigências concretas faz nessa área?
Reivindicamos uma via que seja oriunda de Bensafrim, no Algarve, até à Comporta [no concelho de Grândola]. Tem de haver uma via com perfil equivalente a itinerário principal (IP) entre Odemira e Ourique. Faz falta haver uma requalificação do IP2, entre Odemira e Montenegro, cujo estado actualmente é criminoso. E é preciso melhorar a via usada pelos pesados entre Sines e o IP2, em Ourique, por onde é feita a circulação dos camiões que transportam produtos da refinaria.
São muitas queixas…
Tenho todas as razões para isso, porque Odemira tem os maiores produtores hortícolas nacionais, que representam um volume de exportações de largas dezenas de milhões de euros. As pessoas dão cabo dos camiões, dão cabo das framboesas e dos morangos, porque as primeiras duas camadas [de caixas transportadas] são para atirar para o lixo porque as estradas estão todas feitas em cacos. Isto é inadmissível!

Tem algum sinal de que pode avançar alguma destas obras?
Sabemos que já foi adjudicado o estudo de avaliação estratégica e ambiental do IP entre Odemira e Ourique. E que o Instituto de Infra-estruturas Rodoviárias está a trabalhar nessa matéria.

Obras avançam em Odemira

Recentemente apresentaram o projecto de requalificação da vila de Odemira. Que intervenção vai ser feita?
Precisamos de mexer nos pavimentos, nos espaços verdes, na sinalética, criar espaços de lazer para as pessoas, criar zonas de animação. Isto porque, ao fim-de-semana, a vila é um monte! É um paradoxo que as pessoas saiam todas e deixem a vila deserta. Por isso, é preciso criar uma oferta nova par atrair as pessoas. Depois, há problemas ao nível do saneamento na zona velha da vila, porque não havendo esgotos separativos não há fluviais. Quando chega o Inverno anda toda a gente de galochas porque a água chega aos tornozelos. Por outro lado, nas ruas que têm fluviais naquela zona antiga, a rede é mista e, com os caudais a aumentarem na ETAR, surgem muitas dificuldades.

Estamos a falar de uma intervenção com grande investimento?
Acho que esta intervenção nunca andará abaixo dos 2,8 a três milhões de euros. Isto sendo optimista!

E avança quando?
Creio que, numa perspectiva optimista, poderemos avançar no início do próximo ano. Para Odemira é o grande projecto dos próximos anos, não tenho nenhuma dúvida sobre isso.

Falemos de turismo. Continua a haver muita procura de investidores interessados?
Não nos falta intenções de investimento, mas nós temos elevado muito a fasquia e há um grau de exigência muito grande. Procuramos que haja mais-valias para cá e, por exemplo, uma exigência de princípio: que as empresas tenham a sede no concelho.

Há alguns investimentos que estão a evoluir lentamente?
Estão a correr. Um deles, na Algoceira, já tem declaração de impacto ambiental aprovado. E está neste momento em estudo o impacto ambiental de Vila Formosa. Há um outro grande investimento, que fica mais no interior do concelho, que está a andar muito bem e que, a acontecer, representará um novo conceito mundial no sector do turismo. O projecto está a andar há cerca de dois anos e combina golfe, vinho, perfumes e outras coisas, Esperemos que corra bem…

Em que fase está?
Está na fase do pedido de informação prévia. É um conceito completamente diferente que, daquilo que se conhece, fez as coisas ao contrário. Por exemplo, pretendem triplicar ou quadruplicar a área de sobreiros. Não querem que se mexa nas estevas, porque têm valor acrescentado, por exemplo, nos perfumes. Outra coisa interessante é que não querem avançar com o golfe para já e pretendem dar prioridade à componente agrícola. Eu nunca tinha ouvido falar de um processo assim, porque a história está cheia de investidores que fazem os aldeamentos para vender primeiro o imobiliário. Isto é completamente diferente e é novo. Por exemplo, neste momento há antropólogos a trabalhar com eles que estão a fazer um levantamento do artesanato e da gastronomia odemirense.

Que volume de investimento representa?
Não gostava de dizer mas são centenas de milhões. É disso que estamos a falar.

Zona verde em Vila Nova de Milfontes

Milfontes continua a sofrer “dores” com o seu crescimento sazonal?
Milfontes, neste momento, tem o problema da água e nós vamos construir um novo depósito. Quando há uma ruptura, a capacidade do actual depósito não é suficiente para aguentar na época alta do turismo. Por isso, está a começar a ser construído um novo depósito que resolverá o problema. E depois é a questão da ETAR, que não cumpre dois ou três parâmetros. Mas quero dizer que, até à recente directiva comunitária, aquela ETAR cumpria tudo e foi muito mais a perseguição ao presidente da Câmara de três ou quatro pessoas de Vila Nova de Milfontes, que são conhecidas. Basta ler os jornais!

Mas a ETAR funciona bem?
Não estou a dizer isso. Mas também é verdade que há coisas que não funcionam bem porque alguém faz com que elas não funcionem bem. Eu não quero adiantar mais nada, porque há investigações sobre essas situações, mas é curioso como é que em determinadas alturas aparecem válvulas abertas que alguém abriu durante a noite.

Milfontes é a freguesia mais exigente do concelho?
Se tivéssemos que esperar os impostos que Milfontes paga para fazer o investimento feito [pela Câmara Municipal] durante os meus mandatos, nem sequer 10% daquilo que se fez tinha avançado.

Que apostas tem para os próximos anos naquela vila?
Estamos a terminar o processo de expropriação para criar uma zona verde em Vila Nova de Milfontes, na área envolvente do campo de futebol. A vila precisa de um jardim público, bonito, que a qualifique.

“O poder executivo é como os iogurtes”

Está prestes a fechar um ciclo de 12 anos como presidente. Por que é que decidiu sair pelo seu próprio pé, ao contrário do que acontece com a generalidade dos políticos?
Estou longe de ter esgotado a imaginação e a iniciativa. Estou muito longe disso, porque continuo em forma e gosto muito daquilo que faço. Mas eu acho que o poder executivo é como os iogurtes, tem um prazo de validade. E eu sempre defendi isso. Há quem me critique e quem ache que eu faço muito bem em pensar assim.

Grande parte da sua equipa vai recandidatar-se.
Sai o Carlos Oliveira, por vontade própria. Eu, sem pretender dizer aquilo que é rigorosamente verdade, acho que estas pessoas ganharam experiência e têm uma embalagem tal que saio sem preocupação. O José Alberto [Guerreiro] é uma das pessoas mais bem preparadas e com mais provas dadas [na Câmara].

Houve também pressão da família?
Eu fui para Angola em 1988 e, daí para cá, na prática, fui um pai, um marido e um filho ausente. A minha família também merece que eu olhe para eles de outra maneira. É claro que não vou parar, mas trabalhar 14 ou 15 horas, sem fins-de-semana ou feriados, é muito complicado. Esta disponibilidade permanente tem custos.

Identifica uma marca do seu trabalho em Odemira?
A esperança! Fez-se muita obra em Odemira e basta comparar os indicadores do concelho em 1997 e aqueles que apresenta agora. Mas acho que a maior obra que conseguimos foi voltar a dar esperança às pessoas. Porque há um futuro que existe e que pode ser risonho.

Vai dizer adeus à política?
Eu gosto demasiado de política, mas depende de muitas coisas. Se quer que lhe diga, não tenho nada na cabeça.

Tem alguma ambição?
A minha ambição é ser útil. Mas o maior desejo que tenho neste momento é desligar a ficha da Câmara Municipal e passar dois, quatro ou cinco meses a reorganizar e pensar a minha vida. Tenho muitas portas abertas para voltar a trabalhar e, por exemplo, tenho convites para voltar a Angola, onde trabalhei quatro anos. Portanto, trabalho não me vai faltar.

Se o convidarem para ser deputado ou governador civil, está aberto a esses desafios?
Tenho que ponderar. Isso nunca se pôs e, se se vier a pôr em cima da mesa, eu ponderarei. Mas só me meto numa coisa convencido que posso ser útil. Um “bicho” com o meu feitio e forma de estar, tem mesmo de ponderar porque, às tantas, em vez de ser uma mais-valia posso ser um problema. Porque não entro nas coisas por entrar e para abanar a cabeça que sim. Não faço foguetórios, mas digo as coisas nos sítios certos.

“A saúde é um problema complicado”

No interior do concelho, que problemas identifica como mais aflitivos?
Quero desmitificar essa ideia, que também existe em Odemira, de que vai tudo para o litoral e não vai nada para o interior. Nos meus mandatos, seguramente que o prato maior da balança pende para o interior do concelho. Seguramente!

Mas há problemas.
Era importante para essas freguesias que existissem dois ou três pólos que sustentassem emprego. O grande problema dessas povoações é a distância e o emprego. Se houvesse duas ou três freguesias que polarizassem oferta de emprego era muito, muito importante. E depois uma coisa que é o principal problema do interior, embora também exista no litoral: a saúde é um problema muito complicado!

Em que termos, quer explicar?
Nós temos extensões de saúde em quase todas as freguesias e temos enfermeiros, mas não temos médicos. O quadro [do Centro de Saúde] tem 22 ou 23 clínicos e nunca temos mais de 11 a 15. Nem sequer há um clínico residente por freguesia. Se tivermos em atenção que o Centro de Saúde está aberto 24 horas por dia e que há o Serviço de Urgência Básica, diria que era essencial termos mais cinco ou seis médicos no concelho.

 

CORREIO ALENTEJO

 

http://www.correioalentejo.com/imagens/capas/big/20090709111743.jpg



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